ENEM PPL 2016 - Alternativas para a diminuição do desperdício de alimentos no Brasil

Enviada em 13/09/2021

A Constituição Federal de 1988, documento mais importante do país, prevê, em seu artigo 6º, o direito à alimentação como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado adequadamente na prática quando se observa o desperdício de alimentos no Brasil, dificultando, desse modo, a universalização desse direito social crucial. Diante dessa perspectiva, cabe avaliar os fatores que favorecem esse quadro.

Em uma primeira análise, vale ressaltar a ausência de compromisso do Estado com medidas que atenuem o desperdício dos alimentos. Decerto, a falta de incentivos na logística de transporte dos alimentos é a realidade da política do país, resultando nos diagnósticos tardios e na própria exclusão de uma parcela significativa da sociedade. Segundo o filósofo John Rawls, em sua obra “Uma teoria da justiça”, um governo ético é aquele que disponibiliza recursos financeiros para todos os setores públicos, promovendo igualdade de oportunidades a todos os cidadãos. Sob essa óptica, torna-se evidente que o Brasil não é um exemplo do pensamento desse teórico, visto que negligencia medidas que possam atenuar o desperdício da comida.

Outrossim, sob a óptica do filósofo grego Aristóteles, a educação é um caminho fundamental para a formação da vida pública, à proporção que coopera para o bem-estar da cidade. Diante dessa perspectiva, a manutenção da estrutura deficitária da propagação de conteúdos conscientizadores sobre a logística de alimentos na sociedade brasileira, agrava o desenvolvimento do desperdício dos alimentos, visto que retira do cidadão o acesso ao conhecimento. Portanto, a não ministração de aulas e de eventos os quais abordem sobre essa temática promove, lamentavelmente, o consumismo exacerbado e a alienação da população quanto às atitudes devidas — ao passo que o crescimento do desperdício é avassalador.

Entende-se, portanto, a temática como sendo um obstáculo intrínseco de raízes culturais e legislativas. Logo, a mídia, por intermédio de programas televisivos de grande audiência, irá discutir o assunto com professores ambientais, com o objetivo de mostrar as reais consequências do desperdício de alimentos, apresentar a visão crítica e orientar os espectadores a respeito do impasse. Essa medida ocorrerá por meio da elaboração de um projeto estatal, em parceria com o Ministério das Comunicações. Em adição, trazer o assunto em salas de aula, para que desde cedo se tenha consciência desse desperdício. Desse modo, uma teoria da justiça de John Rawls será devidamente aplicada.