ENEM PPL 2016 - Alternativas para a diminuição do desperdício de alimentos no Brasil

Enviada em 20/11/2021

Com o desenvolvimento tecnológico e químico proporcionado pela Revolução Verde do século XX, ocorreu aumento considerável da produtividade agrícola que alcançou inclusive o Brasil. Entretanto, apesar desse crescimento, a fome e a insegurança alimentar ainda estão presente no cenário social do país, decorrente, entre outros fatores, do desperdício de alimentos. Nesse sentido, faz-se mister a busca por alternativas para combater o problema, cujas causas incluem a postura pouco consciente dos consumidores e a própria estrutura produtiva de transporte e seleção dos produtos.

É importante pontuar, de início, o quanto os consumidores podem contribuir para a redução do desperdício ao adotarem comportamentos mais conscientes e responsáveis a partir de uma educação adequada. Diante disso, o desfrute de um ensino engajador e promovedor de autonomia para o indivíduo, tal como propunha o educador Paulo Freire, configura uma alternativa para a questão. Dessa forma, comportamentos como planejamento das compras, aferição da validade dos produtos e busca por alimentos locais, da própria região, visto que o transporte de longas distâncias gera, naturalmente, perdas, podem ser difundidas e praticadas.

Outrossim, vale ressaltar a própria estrutura do país de transporte e seleção dos produtos, muitas vezes, pouco eficiente e muito exigente quanto à qualidade estética do alimento, respectivamente. Nesse sentido, a ineficiência de uma matriz de transporte pouco adequada para as dimensões continentais do território brasileiro, atrelada ao excesso de qualidade exigida pelos supermercados, levam ao descarte e à perda de alimentos que poderiam ser aproveitados. Sob essa ótica, torna-se válido destacar o exemplo de países europeus, nos quais os produtos descartados dos supermercados pela estética são utilizados para a venda em feiras com preços mais baratos, o que evita o desperdício.

É notória, portanto, a relevância de fatores de caráter social e estrutural na temática supracitada. Nesse viés, cabe à escola, em consonância com o Ministério da Educação, o papel de promover melhor formação dos indivíduos como cidadãos conscientes do problema e de como evitá-lo. Tal medida pode ser efetivada por meio de palestras, trabalhos dinâmicos, debates em sala de aula e pesquisas sobre o assunto. Ademais, cabe ao governo federal a função de estabelecer e regulamentar a criação de feiras com alimentos próprios para o consumo que foram descartados. Essa proposta pode ser realizada a partir do incentivo financeiro para a criação de empresas próprias para desempenhar essa tarefa. Poder-se-á, assim, combater o desperdício e adotar o exemplo de países desenvolvidos.