ENEM PPL 2016 - Alternativas para a diminuição do desperdício de alimentos no Brasil
Enviada em 15/11/2021
O Brasil, por meio de programas como o “fome zero”, teria deixado o mapa da fome no ano de 2014, porém recentemente com o aumento da desigualdade, em boa parte proporcionada pela pandemia, o país ameaça retornar ao mapa citado. É completamente inaceitável, ser vinculado ao contexto citado, um país de agricultura tão próspera, este que ainda descarta alimentos de forma proposital, algo assim apenas deixa explícito o cenário de descaso com a vida humana, no qual os lucros, por menores que sejam, são colocados em preferência dentro deste comparativo.
Como deixado claro anteriormente, um dos grandes culpados pelo desperdício de alimentos, é a ganância das empresas capitalistas, que muitas vezes acabam optando por estratégias como a queima de estoque, para assim diminuir a oferta e, por consequência, ter o seu produto valorizado no mercado; lógica essa que já teve apoio, até mesmo, do Estado brasileiro, especialmente no século XX, quando o mesmo tinha participação ativa na compra e queima do café, para o protecionismo da economia cafeeira. Porém, além do descarte feito por vontade própria, também importa mencionar o proveniente do mero descaso, que inclui os problemas enfrentados no transporte, logística de conservação e estocagem alimentícia.
Igualmente às falhas apresentadas na indústria, os erros no consumo residencial são vilões de participação relevante na perda dos comestíveis, pois muitas pessoas são movidas pelo consumismo e fazem as compras de forma exagerada, a ponto de não conseguirem digerir os mesmos, já que obviamente os orgânicos têm prazos de validade. Tendo isso em vista, é válida uma reflexão social sobre o termo criado por Georg Simmel, a “atititude blasé”, que diz respeito, justamente, à indiferença humana com as coisas que acontecem ao seu redor, o que se enquadra perfeitamente ao caso, no qual as pessoas almejam acúmulos desnecessários, e ignoram completamente os que poderiam ser beneficiados por aquilo que não lhes faz falta.
Sabendo do eixo problemático, o que resta é trazer soluções, e para isso é imprescindível a ação do Estado, mais especificamente do ministério da cidadania, que deve proporcionar o fortalecimento de projetos como o da “fome zero” e criar novos projetos, dentre os quais seria lógico incentivar a doação de comidas por parte das empresas que antes desperdiçavam-as, oferecendo em troca benefícios fiscais. Ademais, seria interessante a conscientização da população por meio de campanhas públicas educativas, fazendo com que ela se encaminhasse para a contribuição na formação de uma sociedade na qual a “atitude blasé”, citada por Gerog Simmel, fosse generosamente menos visível.