ENEM PPL 2016 - Alternativas para a diminuição do desperdício de alimentos no Brasil
Enviada em 16/11/2021
Consoante ao sociólogo Émile Durkheim, a sociedade, assim como um “corpo biológico”, é composta por partes que interagem mutuamente e cujo bom funcionamento é fulcral à saúde do todo. Seguindo a lógica durkheimiana, fica claro que o desperdício de alimentos no Brasil, que poderiam, se bem direcionados, alimentar às parcelas mais carentes da população, ultraja a manutenção da coesão social. Em síntese, esse quadro é fruto negligência no manejo dos gêneros alimentícios ao longo da linha produtiva, sendo, ainda, agravado pela desídia governamental na sua resolução.
Primeiramente, é valido destacar a importância do desenvolvimento da agricultura e da pecuária à espécie humana, que possibilitou a sua sedentarização e a maior estabilidade na obtenção de insumos. Conquanto, a imperícia na logística de distribuição e o consequente desperdício dos alimentos, aflige tais avanços e prejudica, especialmente, aos setores mais desabastados da sociedade brasileira. Desse modo, são necessários incrementos nos processos empregados ao longo da cadeia produtiva, possibilitando o monitoramento dos alimentos desde a colheita até o consumidor final. Assim, possibilita-se a redução das perdas e o melhor aproveitamento não só dos alimentos propriamente ditos, mas de todos os recursos utilizados na sua produção, como água e mão de obra.
Faz-se mister, ademais, salientar a imperícia estatal como impulsionadora do problema. Nesse sentido, o artigo 6 da Carta Magna de 1988 atesta o direito à alimentação. Conquanto, conforme a Embrapa, cerca de 40 mil toneladas de alimentos são desperdiçadas diariamente no Brasil. Dado o exposto, fica evidente a falta de responsabilidade do governo no cumprimento das suas incumbências, uma vez que tamanha quantidade de insumos, poderiam ser corretamente manejados e ter um destino diferente do lixo, servindo à alimentação de famílias que se encontram em condição de insegurança alimentar. Logo, o pragmatismo das leis mostra-se medular à supressão do desperdício de alimentos e à efetivação das garantias legais.
Portanto, frente a tal óbice, urge que os Ministérios da Educação e da Saúde, em parceria, utilizem o poder midiático de propagação de informação, para, por intermédio de campanhas publicitárias no rádio, na TV e na internet, educar a população e os produtores a respeito da importância da contenção do desperdício alimentar. Destarte, pode-se instruir a sociedade, propiciando o tratamento adequado aos alimentos e, ainda, direcionar parcelas desses insumos, que naturalmente não integrariam as redes de consumo, à população carente. Dessa maneira, suscita-se que o meio social, a valer, funcione coerentemente, tal qual o “corpo biológico” tratado por Émile Durkheim.