ENEM PPL 2016 - Alternativas para a diminuição do desperdício de alimentos no Brasil
Enviada em 17/11/2021
A revolução verde trouxe uma série de avanços no campo da agricultura e do cultivo, alavancando a produção de alimentos e solucionando o problema da incoerência entre produção e crescimento populacional, previsto pelo economista britânico Tomas Matlhus no século XVIII. Ainda assim, a insegurança alimentar é hoje um problema que continua a afetar milhares de pessoas através da ineficiência dos métodos de distribuição e de comsumo. Sendo assim, melhorias na infraestrutura de escoamento e lógica de produção, podem ajudar a diminuir o desperdício, mitigando o problema.
Há de considerar, primeiramente, que o Brasil não valoriza mercado interno, subsidiando a produção de monoculturas em latifundios afastados das grandes cidades, o que diminui a oferta dentro do país. A predominância da grande propriedade frente a agricultura familiar, herança fatídica da colonização e das leis de monopolização das terras do início do século XX, explica a baixa produção voltada ao mercado interno: dados do Ministério da Agricultura indicam que a maior parte do alimento que vai para as pratileiras do país são produto da agricultura familiar. Isso gera desperdício, uma vez que o pequeno produtor dispõe de poucos recursos para armazenamento adequado e transporte em caminhões que impessam a oxidação em viagens de longas distâncias.
Além disso, é justamente a forte dependência do transporte rodoviário, geralmente o mais ineficiente transporte de cargas no interior do país, que encarece certos alimentos e dificulta seu consumo por parte da população carente. Dessa maneira, muitos dos alimentos que chegam em grandes quantidades às prateleiras de supermercados das zonas nobres vem a perecer antes de serem comprados, apenas por não possuirem preço acessível. Dados da EMBRAPA, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, corroboram essa realidade ao afirmar que 50% do desperdício ocorre no transporte e outros 30% nas centrais de abastecimento.
Faz-se, portanto, evidente a lacuna na infraestrutura e a falta de planejamento agricola que venha a mitigar o desperdício. Nesse sentido, é imperativo que o Ministério da Economia destine verbas para a revistalisação da infraestrutura de transportes, investindo mais em malhas ferroviárias, com vagões especializados no transporte de perecíveis, por todo o território nacional por meio da inclusão desse objetivo na Lei de Diretrizes Orçamentárias, com o intuito de diminuir o desperdício no transporte. Além disso, o subsídio de bens de consumo comuns como arroz, feijão e batata, bem como outros artigos essenciais na alimentação da população, sejam incluidos no orçamento da União, de modo ampliar a acessibilidade desses alimentos e, assim, evitar seu desperdício. Desse modo, combater-se-á o problema do desperdício e da fome no Brasil.