ENEM PPL 2016 - Alternativas para a diminuição do desperdício de alimentos no Brasil
Enviada em 10/05/2022
Em “O quinze”, obra literária pertencente à segunda geração modernista da literatura brasileira, um grupo de retirantes buscando fugir da fome e seca sobrevivem meio à um cenário degradante destacado pela carência de suprimentos. Ao decorrer da trama, aqueles atingidos pela desgraça, denotam a mensagem deixada pela ausência da comida: a escassez alimentícia fundamenta-se nas variações climáticas, sendo naturais ou não, e principalmente na eminência de desperdícios comestíveis no Brasil. Sendo este um recurso utilizado por Rachel de Queiroz (autora do livro) para transparecer a existência de um grandioso contraste socioeconômico na nação.
Com efeito, é notório que a conturbada distribuição nutritiva reflete, certamente, no persistente crescimento da produção exagerada – e consequentemente inútil – de comida dentro do tecido social. Em seu livro “Geografia da fome”, Josué de Castro demonstra que o empecilho não só apresenta solução, como também apresenta caminhos para a erradicação desse mal – como a implantação de resguardas alimentar e a cooperação em grande escala. Sob essa ótica, percebe-se que os desníveis sociais e até mesmo divergências escossitêmicas – em outras palavras, a desregularização de padrões normais exercidos pela natureza como influência do setor primário e secundário, visto que anualmente 931 milhões de toneladas de alimentos são destinados ao lixo, segundo a ONU.
Além disso, a perda é paralelamente ligada a uma questão cíclica e problemática na cadeia de produção, tendo seu início nas etapa de colheita e pós-colheita e se fixando assim que chegada à casa de seus consumidores. Dito por Vaclav Smil, em sua publicação “Os números não mentem” (baseada em dados do departamento de Agricultura dos Estados Unidos), toda matéria descartada diariamente nos EUA seria suficiente para abolir a fome de cerca de 225 milhões de pessoas.
Portanto, ao entender que a falta de consciência gerada pela invisibilidade da responsabilidade de consumo está diretamente ligada à péssima conduta ecológica, é necessário que se adote medidas para o encerramento dessas insuficiências. Assim, cabe ao Poder Executivo Federal reliza-lás.