ENEM PPL 2016 - Alternativas para a diminuição do desperdício de alimentos no Brasil

Enviada em 09/05/2022

O filme sul coreano “Parasita” retrata as diferenças sociais entre uma família de baixa renda, que vive em um porão e outra, que mora em uma mansão luxuosa. Comparativamente, no Brasil, existem dois extremos: a fome e o desperdício de alimentos, causado por maus hábitos enraizados na cultura brasileira e por ineficiências estruturais, com consequências a serem combatidas.

Por um lado, nota-se que, no país, os dados da fome foram agravados pela pandemia, com 20 milhões de pessoas afetadas, segundo dados da Rede Passan, o que contrasta com a cultura do desperdício de alimentos, costume que, tão presente no cotidiano de muitos brasileiros, nem sempre é notado, sendo gerado pela cultura da fartura, que aponta para uma falta de planejamento e consciência sobre a compra de itens desnecessários, além do não aproveitamento de sobras, o que acaba contribuindo para o desperdício.

Por outro lado, esse problema não se dá apenas na mesa do consumidor, mas passa também pelo transporte e armazenamento, o que evidencia a falta de infraestrutura e logística adequadas. Consequentemente, os danos causados pelo desperdício atingem desde o campo, visto que, além do uso já intensivo do solo, sua produtividade terá ainda sido em vão, até a sociedade, observando que os abismos sociais são apenas maximizados por meio da oposição entre esse mau hábito e aquelas famílias em situação de insegurança alimentar, para as quais esses alimentos poderiam estar sendo destinados.

Em suma, a cultura do desperdício, causada por fatores culturais e estruturais, afeta diversas escalas da sociedade. Desse modo, é necessário que, não só ONGs atuem, mas também o governo invista em projetos que conectem estabelecimentos comerciais a famílias carentes, beneficiando-as por meio da doação de alimentos ainda próprios para o consumo e que iriam para o lixo. Além disso, os órgãos da saúde, por meio da mídia, devem promover conteúdos sobre educação nutricional para que outras partes dos alimentos, igualmente nutritivas, também sejam aproveitadas, contribuindo para a saúde e, principalmente, diminuindo o desperdício.