ENEM PPL 2016 - Alternativas para a diminuição do desperdício de alimentos no Brasil
Enviada em 12/10/2022
O documentário brasileiro “Ilha das Flores”, de 1989, mostra todo o itinerário de um tomate, desde sua plantação até seu descarte. A obra televisiva levava o telespectador a refletir sobre o desperdício de alimentos e a fome. Todavia, mais de 30 anos após seu lançamento, o desperdício de alimentos continua em voga no Brasil. Nesse sentido, faz-se necessário analisar alternativas para a diminuição do preocupante cenário.
De início, o volume de alimentos desperdiçados é estarrecedor. Segundo dados da Organização das Nações Unidas, 33% de toda produção mundial é perdida ao longo da cadeia produtiva. Na referida pesquisa, é indicado que este número transforma-se em 15 mil toneladas desperdiçadas anualmente. Sob essa ótica, a falta de preocupação em reverter este dado, visto que “Ilha das Flores” já relatava a problemática, faz com que a quantidade de alimentos disponíveis diminua e, assim, o preço aumente. Dessa forma, os alimentos, agora mais caros, impedem que toda população possa comprá-los, mantendo milhões de pessoas no mapa da fome.
Além disso, o ponto crucial desta mazela encontra-se no processo produtivo. Conforme o Jornal Globo, 90% da perda de alimentos ocorre antes de chegar à população e apenas 10% seriam referentes ao desperdício no âmbito residencial. Logo, o cerne do problema está nos processos de produção, ou seja, colheita e transporte. Desse modo, a conscientização individual é fundamental para melhora do cenário, porém, é preciso medidas que atuem na raiz do problema que representa 90% do total perdido.
Depreende-se, portanto, que medidas devem ser tomadas para dirimir o desperdício de alimentos no Brasil. À vista disso, é dever do Ministério da Agricultura — órgão responsável pela regulação e normatização de serviços vinculados ao setor — atuar para diminuir o desperdício. Isso pode ser feito por meio de incentivos fiscais aos produtores que diminuírem suas perdas com a finalidade de que haja maior oferta de alimentos. Assim, os agricultores ganharão com mais alimentos vendidos e, também, pelas isenções fiscais, enquanto a sociedade contará com mais gêneros alimentícios e, devido à oferta, preços menores permitindo diminuir a fome.