ENEM PPL 2017 - Consequências da busca por padrões de beleza idealizados

Enviada em 02/12/2020

O filósofo Hegel define beleza como uma construção social dependente do tempo e espaço em que o indivíduo se encontra. Dessa forma, os padrões estéticos são criados e, com o tempo, são modificados ou reinventados, como nas pinturas renascentistas, em que as mulheres eram representadas com corpos robustos como sinônimo de beleza e saúde. Entretanto, na contemporaneidade a busca para alcançar o belo ideal elenca consequências nocivas ao ser humano, como o aumento das segregações sociais e o desenvolvimento de patologias físicas e psicológicas.

Primeiramente, é imperioso salientar que a busca por padrões estéticos pode acentuar as segregações sociais. Ademais, o sociólogo Émile Durkheim aponta o “Fato Social” como algo coercitivo e geral ao ser humano sendo esse obrigado a seguir ideais impostos pela própria sociedade. Todavia, as profundas desigualdades sociais já existentes ficam ainda mais evidentes, pois nem todos possuem dinheiro o suficiente para arcar com despesas de cunho estético. Assim, essas pessoas são segregadas e estereotipadas como feias e sem apreciação por não atenderem aos padrões idealizados veiculados, muitas vezes, pelas mídias sociais.

Concomitantemente, diversas patologias físicas e psicológicas podem ser desenvolvidas na luta para estar no padrão ideal de beleza. Outrossim, a ideologia contemporânea obriga os indivíduos a buscarem academias de ginástica, a fazerem dietas ‘‘malucas’’ para emagrecer e cirurgias, ás vezes, sem necessidade. Logo, o transtorno alimentar, medo, frustação, estresse, ansiedade e, até mesmo, graves consequências de cirurgias malsucedidas são resultados dessa busca incessante do belo ideal. Prova disso são os dados da Organização Mundial de Saúde ao afirmar que mais de 12 milhões de brasileiros sofrem de depressão por não se aceitarem fisicamente.

Portanto, é necessário superar os paradigmas de beleza idealizada impostos aos indivíduos e cabe à Mídia, como as emissoras de TV, rádios e redes digitais veicularem campanhas de desmistificação dos padrões estéticos ideais. Isso pode ser realizado por meio de entrevistas com especialistas, comerciais com imagens e vídeos que valorizem a diversidade física do ser humano, como seu corpo, cabelo, formato do rosto, sua voz, boca, nariz, altura. Isso visa estimular o indivíduo ao respeito e a autoaceitação  e incentivar as pessoas a conhecerem os limites do próprio corpo e, assim, comungar o que é verdadeiramente belo: a vida. Dessa forma, a construção social de beleza definida por Hegel será, na sociedade contemporânea, o enaltecimento da diversidade em detrimento do padrão.