ENEM PPL 2017 - Consequências da busca por padrões de beleza idealizados

Enviada em 09/12/2020

Émile Durkheim atesta, pelo conceito de “Fato Social”, a recorrência de valores coercitivos que perpassam nos meios culturais. Infelizmente, é indubitável que a representação midiática de padrões de beleza idealizados, configura-se como um fato social capaz de persuadir à busca por uma estética irreal. Esse cenário nefasto revela um problema grave que corrobora não só transtornos psicossociais, mas também processos físicos agressivos.

Nesse sentido, é importante destacar as psicopatologias decorrentes da excessiva comparação. Nessa perspectiva, por meio da canção “Desconstrução”, o cantor Tiago Iorc apropria-se do lirismo musical para narrar a trajetória de uma jovem com depressão que, por não ter apoio profissional e familiar, como forma de suprir sua carência, aliena-se ao uso do celular e ao anseio por aparências. Analogamente, em um contexto marcado pelas plataformas digitais, a exposição a conteúdos que reforçam um padrão físico idealizado, associada ao restrito apoio emocional, suscita um ciclo de transtornos fomentados pela baixa autoestima pela busca de uma imagem de difícil alcance. Portanto, é inquestionável que problemas quanto à saúde psíquica, na contemporaneidade, são agravados peloa recrudescente visibilidade dos padrões surreais pela tecnologia.

Ademais, é necessário ressaltar a negligência para com a qualitativa saúde. Nesse viés, o seriado “Nip/Tuck” retrata cenários distópicos em que a publicidade de cirurgias plásticas incentivaram a manipulação acrítica e insustentável que, a despeito de preceitos médicos, resultou na morte de pacientes. Similarmente, fora da ficção, nas redes digitais, onde o controle de conteúdos é escasso, a repercussão irrestrita de propagandas duvidosas de métodos de alteração corporal favorece medidas  ilógicas e imediatistas de transformação, o que propicia resultados desastrosos para o físico. Logo, é incontrovertível que a suposta necessidade desesperada por alteração pode estimular sequelas fisiológicas.

Dessarte, ante as psicopatologias e as deletérias manipulações corporais, urgem medidas em prol da orientação sobre os padrões de beleza idealizados. Para isso, é fulcral que o Ministério da Saúde, associado à Secretaria Especial da Cultura, difunda uma ampla erudição acerca da saúde física e emocional. Isso deve ocorrer por intermédio do incentivo à busca por apoio psicológico a partir de campanhas, nas redes sociais, que desconstruam a estética inacessível difundida midiaticamente e apresente as suas nocivas implicações para a saúde, com o fito de transformar a perspectiva construída sobre a beleza e de mitigar sequelas. Assim, ideais inalcançáveis serão, paulatinamente, dissociados do “Fato Social” que tramita culturalmente.