ENEM PPL 2017 - Consequências da busca por padrões de beleza idealizados

Enviada em 03/12/2020

“O celular é o novo cigarro”. Essa frase da socióloga estadunidense Amber Case evidencia que o uso excessivo de tecnologia pode tornar-se um vício nocivo ao indivíduo. Nessa ótica, pode-se relacionar que a dependência de “smartphones”, com ênfase no uso indiscriminado de rede sociais, corrobora a perpetuação e propagação de estereótipos no Brasil contemporâneo, uma vez que, por meio de anúncios e pessoas influentes impõe padrões de beleza e modo de vida idealizados. Faz-se necessário, portanto, mitigar a estereotipização, em virtude de suas negativas implicações sociais.

Em primeiro lugar, é válido ressaltar o caráter histórico da formação de estereótipos nas sociedades. Na Idade Média, por exemplo, o padrão de beleza feminino consistia em pele clara, lábios grandes e quadris largos, representando o considerado ideal da época. Todavia, na contemporaneidade, essa definição foi alterando-se. Nesse sentido, o sociólogo Karl Marx apresenta o conceito de “Reificação”- as relações humanas são “coisificadas”, isto é, as pessoas tornam-se mercadorias a serem consumidas. Observa-se, portanto, implicações sociais na sociedade, visto que ela se vê obrigada a possuir e se tornar algo padronizado e imposto por outrem.

Seguindo essa lógica, é necessário enfatizar o poder de influência do conteúdo absorvido pelos usuários nas redes sociais. Nesse contexto, a plataforma Netflix lançou em 2020 o documentário “O dilema das redes”, durante a trama ele apresenta uma adolescente que se isola socialmente após receber comentários ofensivos em uma foto, por não enquadrar-se nos padrões de beleza impostos no meio a qual está inserida. Fora da telinha, essa preocupante ocorrência cresce a cada ano. De acordo com a revista “Veja”, na última década o número de adolescentes em depressão praticamente duplicou, fato esse causado pela insatisfação estética e, por conseguinte, sentimento de não pertencimento à comunidade.

Deve-se, pois, com o intuito de atenuar as implicações negativas da imposição de estereótipos, adotar mudanças. Urge que a CONAR (Conselho de Auto-Regulamentação Publicitária), por meio de fiscalizações mais rigorosas, controle a disseminação de publicidades apelativas  - que impõe padrões ou discrimine minorias -, objetivando a redução da propagação de ideias de beleza e do preconceito. Em adição, é dever das escolas brasileiras promover o debate sobre a imposição de padrões de beleza e sobre o uso indiscriminado das redes sociais. Essa discussão deve ser feitas através de palestras conduzidas por professores de sociologia e filosofia, abrangendo não somente os alunos, mas também os familiares, com o intuito de formar cidadãos conscientes, com alteridade e libertos do vício contemporâneo proposto pela socióloga Amber Case.