ENEM PPL 2017 - Consequências da busca por padrões de beleza idealizados
Enviada em 10/12/2020
Na antiga idade média, o corpo idealizado era aquele mais cheio e rechonchudo, pois demonstrava que tal indivíduo tinha fortuna e boas condições de vida. Atualmente, apesar do perfil ideal moderno dar enfoque na saúde corporal, o excesso de pessoas com corpos ‘’esculpidos’’ na mídia faz parecer que aquele é o padrão, o corpo comum dos cidadãos. Por consequência, grande parte da sociedade, por não se encaixar em tais moldes, pode vir a desenvolver problemas na sua saúde mental.
Em primeiro lugar, é importante apontar a exposição exagerada desses padrões de beleza como a principal causa do estímulo à busca por tal corpo. De fato, segundo a Escola de Frankfurt, a mídia moderna é baseada nos moldes capitalistas, focada em arrecadar dinheiro, principalmente com a bilheteria de filmes nos cinemas. Dito isso, de acordo com o site ‘‘Hollywood Reporter’’, os principais atores responsáveis por interpretar os super heróis da Marvel, por contrato, são obrigados a ficarem musculosos para o filme, além de terem que gravar pelo menos uma cena sem camisa em seus filmes. Por conseguinte, devido ao fato de a maioria dos atores serem obrigados a atingirem determinado padrão de beleza, cria-se um modelo, como na matemática, o que mais se repete é o comum, criando uma pressão sobre os indivíduos para que atinjam esse molde.
Em vista disso, essa coação para a população se encaixar nesses padrões de beleza pode facilitar o aparecimento de transtornos psicológicos. Nessa lógica, o filósofo Byung-Chul-Han, em sua obra ‘‘Sociedade do Cansaço’’, diz que a força que a sociedade exerce sobre o indivíduo para atingir determinados padrões é a principal causa que promove problemas na saúde mental das pessoas. Logo, em consequência da busca por esses modelos de beleza, impostos pela mídia, os cidadãos tendem a desenvolverem transtornos como ansiedade e depressão, por estarem insatisfeitos com seus corpos.
Portanto, diante desse contexto, para reduzir a pressão para aderir tais moldes e evitar a depredação da saúde mental dos cidadãos, cabe ao governo, entidade máxima do poder, em conjunto da mídia, grande formadora de opinião, informar à população que, para ser saudável, os corpos não precisam ser iguais a um determinado modelo e buscar a quebra dos padrões físicos nos filmes e séries. Isso deve ser feito por meio de campanhas e propagandas, além de priorizar a diversidade, sendo que, conforme a socióloga Hanna Arendt, a diversidade é inerente a condição humano, de modo que todos deveriam estar acostumados com o diferente. Só assim, será possível que as pessoas sejam felizes com seus corpos.