ENEM PPL 2017 - Consequências da busca por padrões de beleza idealizados
Enviada em 05/12/2020
Na Garcia Antiga a beleza era considerada um presente dos deuses e uma qualidade admirada e invejada por quem não se encaixava nesse padrão. Analogamente, essa mentalidade descreve sucintamente a realidade brasileira no que se concerne a busca por modelos estéticos idealizados. Tal realidade advém de uma sociedade capitalista que fomenta a massificação de conceitos de aparência perfeita. Assim, dentre outros fatores que corroboram para esse quadro, cabe citar o conceito de Indústria Cultural que gera malefícios a autoestima da população.
A princípio, é importante salientar que a mídia exibe conteúdos opressores por meio da idealização da aparência e de corpos perfeitos. Em acordo com essa problemática, está o conceito de Indústria Cultural, elaborada por pensadores da Escola de Frankfurt, em que a indústria cria ilusões padronizadas como estratégia de venda e de controle da opinião social, visando apenas os lucros. Desse modo, as mulheres, principalmente, são as mais afetadas por esses conteúdos e se comparam constantemente, buscando sempre meios para se encaixarem nos padrões criados pela mídia.
Além disso, as opressões estéticas estimulam pesadamente no crescimento de procedimentos e intervenções cirúrgicas no país. Nesse sentido, segundo dados da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS) o Brasil, em dezembro de 2019, passou os Estados Unidos e tornou-se o país que mais realiza cirurgias plásticas no mundo. Portanto, fica evidente que a criação de modelos idealizados de beleza abala negativamente a autoestima desses que se submetem a tantos procedimentos para modificar a própria aparência.
Logo, é necessário que haja intervenções estatais para controlar as influências criadas pela indústria. Sendo assim, é pertinente que o Estado, em parceria com a mídia, crie campanhas de conscientização a respeito dos padrões de beleza impostos pela sociedade — e tenha como pauta a valorização das diferenças, elevando a autoestima de todos os brasileiros — por meio das redes sociais e de propagandas publicitárias. Isso deve ocorrer com o fito de amenizar as influências geradas pela Indústria Cultural e por consequência espera-se que a mentalidade vivida na Grécia Antiga não seja mais uma realidade no Brasil.