ENEM PPL 2017 - Consequências da busca por padrões de beleza idealizados

Enviada em 05/12/2020

A existência de um padrão de beleza, ao contrário do que se imagina, não se restringe apenas à contemporaneidade; na verdade, a percepção do belo está diretamente relacionada aos desejos e conveniências do ser humano. Na pré-história, por exemplo, a idealização, principalmente da figura feminina, era feita através de seios, barriga e quadris volumosos que remetiam o conceito de fertilidade fortemente aspirado entre as mulheres. Atualmente, entretanto, cabe à mulher manter uma aparência magra e delicada e ao homem um perfil forte e másculo. Sob esse aspecto, a busca por atender a padrões de beleza, frequentemente expostos nas mídias sociais, gera consequências graves como a perda da singularidade e a nociva comparação entre os indivíduos.

Em primeira análise, cabe pontuar que a construção de um alinhamento estético é feita de modo a negligenciar características que tornam as pessoas singulares, e direciona o pensamento daquilo que deve, ou não, ser elogiado tanto na forma física quanto comportamental. Nesse contexto, as redes sociais acentuam a perda identitária e impõem, nas entrelinhas, o convite para se ‘‘inspirar" nas blogueiras e influenciadores digitais mais aclamados, o que possivelmente provoca frustração por nem sempre ter acesso às melhores maquiagens ou procedimentos estéticos. Assim, infelizmente, a tendência é ir a favor dos gostos populares e de encontro à real vontade do indivíduo.

Ademais, convém frisar que a constante comparação leva as pessoas a ficarem insatisfeitas com seu visual motivando-as a realizarem mudanças muitas vezes desnecessárias e de risco. Uma prova disso, está no programa televisivo ‘‘The botched’’ que mostra o dia a dia de dois cirurgiões plásticos. Durante os episódios, os pacientes falam o que pretendem modificar em seus corpos e, geralmente, o objetivo final é saírem da clínica parecidos com os artistas ou personalidades escolhidas como ‘‘molde’’ para o procedimento. Desse modo, a impossibilidade de um modelo que atenda a todos os corpos e as possíveis complicações cirúrgicas contribuem para a manutenção da sensação de inferioridade e baixa auto-estima.

Portanto, a fim de reverter essas consequências prejudiciais e incentivar a individualidade, a ferramenta midiática deve ser usada para promover, por meio de postagens e propagandas, o protagonismo de pessoas consideradas fora do padrão de beleza. É interessante, também, contar com o apoio de profissionais da saúde que compartilhem alternativas para desenvolver a confiança e o aproveitamento de uma vida mais saudável e feliz sem se preocupar com amarras estéticas. Espera-se, com isso, gerar efeitos positivos ao contribuir para que todos entendam que o verdadeiro padrão a ser seguido é o seu.