ENEM PPL 2017 - Consequências da busca por padrões de beleza idealizados

Enviada em 06/12/2020

A revolução técnico-científico-informacional, iniciada na segunda metade do século XX, inaugurou inúmeros avanços no setor de informática e telecomunicações. Embora esse movimento de modernização tecnológica tenha sido fundamental para democratizar o acesso a ferramentas digitais e a participação nas redes sociais, tal processo foi acompanhado por uma intensa idealização de padrões de beleza gerando graves consequências, em virtude da manipulação midiática e de uma cultura que engrandece o consumismo.

Em primeira análise, é indubitável que os meios de comunicação exerce forte influência sobre o povo, fato que controla diversas rotinas.  Nesse enfoque, consoante George Orwell -escritor britânico- a massa cria a mídia, marcas a mantém e ela controla as massas. À luz dessa perspectiva, a imprensa tenta forçar padrões de beleza há décadas para favorecer seus companheiros comerciais, situação que torna o diferente algo inaceitável e deixa inúmeras pessoas insatisfeitas com o próprio corpo. Ilustração patente dessa realidade são as diversas propagandas espalhadas por todos os meios de comunicação que sempre ilustram o mesmo padrão feminino: magreza, cabelos lisos, etc.

Em segunda análise, é inegável que a população na contemporaneidade possui viés consumista. Isso posto, conforme Augusto Cury -psicólogo brasileiro- hoje vive-se em uma sociedade consumista, em uma sociedade de desejos e não de projetos existenciais, não se procura amizades, ninguém planeja superar fobias, ser tolerante,ter um grande amor. À vista disso, a crescente de consumo leva as massas ao padrão que o mercado deseja impor, ou seja, ao padrão mais lucrativo possível, sem preocupação com as consequências geradas nas individualidades. Resultado manifesto disso é a indústria fitness, amplamente, divulgada na mídia e exige gastos consideráveis por parte de quem a adota.

Portanto, é imperioso que intervenções sejam empregadas para amenizar o cenário supracitado. Inicialmente, o Estado -na figura do Ministério da Educação- deve criar projetos que conscientizem a população em relação aos perigos que a mídia oferece, por meio de parcerias público-privadas, com o intuito de capacitar a sociedade não seja mais manipulada pelos meios de comunicação. Ademais, narrativas engajadas- a exemplo de filmes, séries e novelas- poderiam abordar a questão da crescente do consumismo, com o objetivo de alertar as massas. Doravante, será possível que cada indivíduo esteja satisfeito com as próprias condições físicas e que a sociedade não julgue de forma negativa o diferente.