ENEM PPL 2017 - Consequências da busca por padrões de beleza idealizados
Enviada em 07/12/2020
A busca por padrões de beleza cada vez mais inalcançáveis não pode ser vista hodiernamente como uma mera questão individual, fruto do desequilíbrio de alguns poucos indivíduos, e sim como um problema estrutural que perpassa gerações. Desse modo, é necessário conhecer as consequências dessa procura irrefletida pelo belo, que danifica física e mentalmente os que se propõe a percorrer essa jornada e entender os impactos para além da saúde na vida dessas pessoas, principalmente na das mulheres, grupo historicamente associado a beleza.
A Academia Americana de Cirurgiões Plásticos Faciais e Reconstrutores divulgou em 2018, que naquele ano, 55% das cirurgias em nariz realizadas no mundo foram justificadas para “sair melhor em selfies”. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica divulgou o censo realizado também em 2018 que atestou o aumento de 141% na realização de procedimentos estéticos em adolescentes entre 13 e 18 anos nos últimos 10 anos. Novos procedimentos estéticos surgem a cada dia e são divulgados nas redes sociais, principalmente no Instagram. Essa rede, que completou 10 anos em 2020, é corresponsável pelo aumento da insatisfação generalizada dos indivíduos perante seus corpos, os quais se comparam com fotos editadas de influenciadores que lucram com a frustração de pessoas comuns que acreditam que produtos e procedimentos milagrosos os farão alcançar o desejado padrão.
Fica claro em O Mito da Beleza, obra de Naomi Wolf, que o culto à juventude e à beleza da mulher é estimulado pelo patriarcado como mecanismo para boicotar sua emancipação econômica, sexual e intelectual; ideais feministas conquistados a partir da década de 1970. Assim, a mulher, mesmo tendo seu próprio dinheiro e certos direitos resguardados, continua subjugada, pois grande parte da sua renda sustenta o mercado da beleza _ segundo a revista Forbes, o Brasil contribui com o 4º maior do mundo_ e só se sente apta para conviver em sociedade depois de ficar “apresentável”.
Tentar se adequar ao padrão de beleza é inútil, pois o padrão é extremamente volúvel, o que torna este mercado sustentado na insegurança e baixa auto estima extremamente rentável. Para recobrar a saúde das pessoas que estão nessa busca incessante, é necessário demonstrar que a mudança na aparência não é solução de todos os problemas da vida. O CONAR, por meio da autoridade que exerce sobre os meios de comunicação, deveria fiscalizar e impedir a vinculação entre valores como felicidade e sucesso pessoal e profissional a corpos mais esbeltos. Ademais, as famílias precisam se habituar a desvincular o valor das meninas à sua aparência, dando mais importância às suas potencialidades. Dessa forma, uma geração menos preocupada com seus corpos será formada e com mais disposição para se preocupar com novos desafios.