ENEM PPL 2017 - Consequências da busca por padrões de beleza idealizados
Enviada em 08/12/2020
A revolução técnico-científico-informacional, iniciada na segunda metade do século XX, inaugurou inúmeros avanços no setor de informática e telecomunicações. Embora esse movimento de modernização tecnológica tenha sido fundamental para democratizar o acesso a ferramentas digitais e a participação nas redes sociais, tal processo foi acompanhado por uma intensa idealização dos padrões der beleza gerando graves consequências, como: depressão e ansiedade, em virtude da manipulação midiática e de uma cultura que engrandece o consumismo.
Em primeira análise, é indubitável que os meios de comunicação exercem forte influência sobre o povo, fato que controla diversas rotinas. Nesse enfoque, consoante George Orwell, escritor britânico, a massa cria a mídia, marcas a mantém e ela controla as massas. À luz dessa perspectiva, a imprensa tenta forçar padrões de beleza há décadas para favorecer seus companheiros comerciais, situação que torna o diferente algo inaceitável e deixa inúmeras enojadas com o próprio corpo. Ilustração patente dessa realidade são as diversas propagandas espalhadas por todos os meios de comunicação que sempre ilustram o mesmo padrão para o corpo feminino: magreza, cabelos lisos etc.
Em segunda análise, é inegável que a população possui viés consumista. Isso posto, conforme Augusto Cury, psicólogo brasileiro, hoje vive-se em uma sociedade consumista, em uma sociedade de desejo e não de projetos existenciais. À vista disso, a crescente nos níveis de consumo leva às massas ao padrão que o mercado deseja impo, ou seja, ao padrão mais lucrativo possível, sem preocupação com as possíveis consequências geradas nas individualidades. Resultado manifesto disso é a indústria fitness, que além de ter a capacidade de lesar a saúde de algumas pessoas quando praticada sem acompanhamento profissional, exige gastos consideráveis por parte de quem a adota.
Portanto, é imperioso que intervenções sejam empregadas para amenizar o cenário supracitado. Inicialmente, o Estado -na figura do Ministério da Educação- deve criar projetos que conscientizem a população em relação aos perigos que a mídia oferece, por meio de parcerias público-privadas, com o intuito de capacitar a sociedade e ela não seja mais facilmente manipulável. Ademais, narrativas engajadas -a exemplo de filmes, séries e novelas- poderiam abordar a questão da crescente do consumismo, por intermédio de roteiros comprometidos com as questões sociais, com o objetivo de alertar as pessoas em relação ao consumismo desenfreado. Doravante, será possível que cada indivíduo esteja satisfeito com as próprias condições físicas e que a sociedade de froma negativa o diferente.