ENEM PPL 2017 - Consequências da busca por padrões de beleza idealizados

Enviada em 16/12/2020

De acordo com o artigo 3°, da Constituição Federal (CF/88), deve-se promover o bem estar de todos indiscriminadamente. Todavia, ao se observar o uso sistemático de padrões de beleza em produtos midiáticos, verifica-se a problemática da busca dos indivíduos que não se encaixam nesses modelos, causando distúrbios de saúde mental e física. Diante disso, nota-se a necessidade de mudanças substanciais, a se destacar uma maior representatividade da diferença de corpos e características do povo brasileiro. Por conseguinte, a busca idealizada dos indivíduos pelos modelos inalcançáveis deve ser atenuada, garantindo o estado de pertencimento na sociedade.

Deve-se pontuar, a princípio, que a premissa filosófica de São Tomás de Aquino, é que todos os indivíduos de uma sociedade democrática possuem a mesma importância. Nessa lógica, é notável que a mídia não cumpre o papel enquanto agente de divulgação cultural na sociedade, uma vez que não proporciona isso aos que não se encaixam no padrão de beleza imposto, o que caracteriza uma falta de respeito a esse público. A lamentável exclusão à qual são submetidos os que não possuem cabelos lisos, pele clara e corpos esbeltos é percebida diariamente em propagandas, novelas e filmes, o que revela o despreparo da indústria de produção cultural. Assim sendo, a representação de outros modelos mais presentes na sociedade brasileira mitiga esse sentimento de não pertencer do cidadão comum.

Além disso, toda essa questão de busca pelo ideal de beleza é consentida pela indústria de cosméticos e procedimentos estéticos, que deveria ressaltar a característica natural de cada um, mas por não acontecer, gera uma letargia social. Essa gênese fica evidente sobre o pensamento de Jean Jaques Russeau, ao dizer que o homem nasce livre, mas por toda parte encontra-se acorrentado. Assim, a ideia de uma norma a ser seguida induz na sociedade concepções errôneas a respeito de como suas características são enxergadas e aponta uma situação abjeta sobre a inexistência de uma diversidade da visão de beleza, o que deve ser atenuado por meio de uma mudança na forma de definir o belo.

Infere-se, portanto, a necessidade de mudanças na escolha de padrões de beleza a serem seguidos. Nesse sentido, é imprescindível que a indústria cultural como um todo recorra a escolhas mais representativas no que se refere às campanhas de marketing, aos atores de filmes e novelas, produzindo conteúdos voltados aos indivíduos que até então não enxergavam suas características físicas nesse meio, com o intuito de mostrar a beleza cotidiana do brasileiro e diluir essa ansiedade pelo ideal inalcançável. Destarte, a norma constitucional do artigo 3º deixará de ser utópica e fará sentido na aplicação social.