ENEM PPL 2017 - Consequências da busca por padrões de beleza idealizados
Enviada em 05/01/2021
Narciso acha feio o que não é espelho
Desde antes da filosofia ocidental ser fundada, há 400 anos a.C, o conceito de belo e feio já existia no subconsciente das sociedades. À luz dessa analise, com a evolução da humanidade ao longo dos séculos, esses pensamentos deixaram o mundo das ideias para serem expressos e “socialmente impostos” pelo atual mundo globalizado. Em decorrência disso, doenças psíquicas relacionadas à autoimagem passaram a dominar cada vez mais o teatro global e afligir, sobretudo, os filhos da pátria amada.
Diante desse cenário, há um acervo filosófico deixado por Platão que se adequa a questão dessa busca pelo padrão estético idealizado: o mundo das ideias. Essa corrente afirma que há um “molde ideal” de todas as coisas, mas que a forma real delas não pode ser como em seu moldelo. Semelhantemente funciona o conceito de beleza idealizada, pois todo e qualquer padrão estético gerado inconscientemente, seja por meio da televisão ou das passarelas, não pode ser tomado como meta ideal de vida, já que, de acordo a Organização Mundial da Saúde, em 80% dos casos ele é inalcançável. Essa sede por produzir uma imagem socialmente apreciável acaba por levar grande parte da sociedade ao inferno emocional.
Essa assertiva é reforçada pelo chefe de psquiatria do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, que por meio de artigo publicado na revista Science comprovou que nas últimas duas décadas, especialmente após o surgimento das redes sociais, o número de pessoas que buscam por ajuda psicológica devido a problemas de autoimagem cresceu 110%. Segundo ele, esses números são consequência direta da busca desenfreada da sociedade pós-moderna em adquirir padrões de beleza útopicos. Com isso, doenças como depressão, ansiedade, bulimía e anorexía tornaram-se mais comum no cotidiano do brasileiro, relatou o psiquiatra Augusto Cury.
Destarte, todo Narciso, disse Caetano Veloso, “acha feio aquilo que não é espelho”. À luz dessa poesia, discutir acerca das consequências geradas pela busca da beleza idealizada torna-se questão de saúde pública na nação verde e amarela. Para isso cabe ao Poder Legislativo, por meio de leis, banir da televisão e das redes sociais toda propaganda ofensiva ou nocisa à autoestima. Atrelado a isso é dever midiático promover fóruns discursivos que tratem dessa temática. Somente assim, por meio da lei e da mídia, será tratada a causa e o efeito dessa problemática enraizada na sociedade há tantas gerações.