ENEM PPL 2017 - Consequências da busca por padrões de beleza idealizados
Enviada em 02/01/2021
No convívio social brasileiro, parte considerável da população já sofreu algum tipo de preconceito devido a sua aparência. Nessa conjuntura, a busca por se encaixar em padrões de beleza idealizados tem causado danos psicológicos e físicos à muitas pessoas, o que fomenta maior empenho do Poder Público e da sociedade civil, com o fito de reduzir os danos oriundos dessa imposição.
Em primeiro lugar, deve-se ressaltar a ineficiência estatal na luta contra esses padrões. Segundo o Artigo 3º da Constituição Federal de 1988, o Estado é responsável por garantir o bem de todos, entretanto, na prática, isso não ocorre. Devido à ineficiente fiscalização nas mídias sociais, muitas pessoas acabam sendo vítimas de insultos simplesmente por não se encaixarem em modelos de beleza socialmente aceitos. Esse fato, sem dúvida nenhuma, além de ser uma violação flagrante a um princípio constitucional, colabora veementemente para o adoecimento das vítimas, que, por não se encaixarem nesses modelos idealizados, acabam desenvolvendo danos psicológicos de não aceitação da própria imagem.
Outrossim, a sociedade também tem sua parcela de culpa nessa problemática. Isso acontece porque, segundo artigo veiculado pela Universidade Federal do Rio Grade do Sul, o conceito de beleza parece partir também da imposição social. Muitas pessoas, por exemplo, desejam ter uma cintura mais fina, pernas mais torneadas ou qualquer outra característica imposta socialmente, sem nenhum tipo de discussão acerca das possibilidades ou dos porquês daquele padrão. Essa vontade, que foi absorvida sem a observação das limitações biológicas de cada indivíduo, pode ser apontada como uma das principais causas da busca por procedimentos estéticos ilegais, corriqueiramente veiculados na mídia, e que, muitas vezes, acabam matando os que se dispõem a realizá-los.
Infere-se, portanto, que se faz necessário agir de forma urgente para evitar os danos ocasionados pela disseminação dos padrões de beleza idealizados. Nesse sentido, é necessário que o Governo Federal, instância máxima da administração executiva, por meio de parcerias com empresas como o Google e o Facebook, crie um órgão especializado na fiscalização dos meios digitais, com a finalidade de evitar que os usuários sofram qualquer tipo de preconceito devido a sua aparência. Ademais, o setor midiático deve promover intensa campanha informativa sobre as limitações biológicas de cada indivíduo, para evitar que mais pessoas arrisquem suas vidas por pura ignorância no assunto. Dessa forma, as já ultrapassadas imposições de belo poderão deixar de fazer parte da sociedade brasileira.