ENEM PPL 2017 - Consequências da busca por padrões de beleza idealizados

Enviada em 03/01/2021

A imposição de padrões de beleza na sociedade é mutável e subjetiva à medida que o tempo evolui: existe desde Pero Vaz de Caminha louvando as índias por serem limpas e gordas, até Vinícius de Moraes exigindo a beleza como requisito fundamental. Ocorre, contudo, que tal exigência inalcançável gera consequências graves à sociedade, principalmente em relação à saúde e à exclusão de grupos sociais.

A priori, o desdobramento no que tange à saúde baseia-se na necessidade de adequação das mais diversas belezas ao padrão único: peles e olhos claros, rostos com traços finos e corpos magros. Tal transformação exige intervenções cirúrgicas invasivas, por motivação predominantemente estética, que geram problemas futuros muitas vezes desconhecidos pelos próprios médicos. Com o amadurecimento precoce atual de jovens adolescentes, essas intervenções tem ocorrido antes dos dezoito anos de idade que, segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, aumentou em mais de cem por cento nessa faixa etária.

A posteriori, se a transição ao padrão exigido supracitado não for minimamente alcançado, a consequência é a exclusão dessas pessoas das mais diversas esferas sociais. Isso ocorre por meio do bullying nas escolas e universidades, por meio da gordofobia, da xenofobia e do racismo. Tal exclusão decorre da falta de representatividade em posições socialmente elevadas, seja no mercado de trabalho, seja nas indústrias de beleza, cosméticos e vestuário. Essa supressão beneficia uma porcentagem mínima e seleta da comunidade brasileira que, em sua maioria, não é branca, não é magra, não possui olhos e cabelos lisos e claros.

Dessa forma, resta evidenciado que os padrões de beleza impostos socialmente geram consequências críticas, principalmente na saúde e na exclusão de grupos sociais. Para minimizar tais efeitos, é necessário que o Ministério da Saúde, juntamente com o Poder Legislativo, restrinja, por meio de lei, a obrigatoriedade da maioridade civil para procedimentos estéticos invasivos, a fim de diminuir drasticamente a incidência nessa faixa etária. Além disso, o Ministério da Educação, juntamente com o Poder Executivo Municipal, deve instruir pais e alunos, no sistema regular de ensino público e particular, acerca das consequências sociais que a busca pelos padrões de beleza de forma irresponsável pode gerar, com o propósito de reduzir na base educacional problemas futuros de exclusão.