ENEM PPL 2017 - Consequências da busca por padrões de beleza idealizados
Enviada em 10/01/2021
O filme “O Mínimo para Viver” retrata a vida de uma jovem que sofre anorexia nervosa e que, por esse motivo, enfrenta dificuldades para viver feliz e esperançosamente. Apesar de ser uma obra ficcional, esse e outros diversos transtornos alimentares estão presentes fortemente na contemporaneidade e são umas das consequências dos padrões de beleza impostos e idealizados em sociedade, os quais, indubitavelmente, são intensificados pelos canais midiáticos e fundamentos errôneos para ações preconceituosas.
A princípio, no contexto de surgimento do televisor, Guy Debord, em sua obra “A Sociedade do Espetáculo”, versa sobre as transformações que a mídia acarretou no meio social. Para tanto, o filósofo explica que os meios de comunicação social contribuem para uma dominação por imagem, ou, como Debord denomina, pelo espetáculo. Isso porque as pessoas, por exemplo, assistem a um programa televisivo e esperam reproduzi-lo, de maneira a confundir a ficção com a realidade. Nesse sentido, pelos meios midiáticos, é exibido certos modelos de beleza enganosos e falsos, os quais a sociedade passou a almejar e a definir como o nível mais elevado do belo. Ressalta-se ainda que, com o surgimento das redes socias, esse fenômeno foi potencializado com uma maior reprodução de imagens que, muitas vezes, não condizem com a realidade.
Ademais, Frederich Nietzsche, em “Geneologia da Moral”, defende a ideia de que valores, como o feio e o belo, são construídos em sociedade conforme o contexto histórico. Nesse sentido, as características físicas europeias, como o cabelo liso e a pele branca, são padrões estabelecidos como parâmetro de beleza em decorrência de práticas etnocentricas no perído colonial. Esse aspecto contribuiu para a inferiorização de várias raças e, em sequência, para a ideia de que a pele negra e o cabelo cacheado não são belos, como exemplo. Assim, surge formas de preconceito contra negros, pessoas acima do peso e diversos outros, os quais são perpetuados, infelizmente, até hoje. Em vista desses príncipios sociais equivocados, o filósofo Nietzsche propõe a superação deles com a instituição de uma nova concepção sobre, nesse caso, o que é considerado belo.
Portanto, é indiscutível, à vista dos argumentos abordados, a necessidade agir contra os padrões de beleza idealizados. Para tanto, a mídia, como grande influenciadora social, deve exibir programas televisivos com a participação de diferentes pessoas com diferentes aspectos físicos, além de pautar sobre a ideia de que os indivíduos que fogem de tais padrões de beleza estabelecidos também devem ser considerados belos. Há, assim, a transvolorização dos valores, como almejava Nietzsche, fator que provoca, em consequência, autoaceitação e a autovalorização nos indivíduos sociais.