ENEM PPL 2017 - Consequências da busca por padrões de beleza idealizados

Enviada em 09/01/2021

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e de problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que as consequências da busca por padrões de beleza idealizados apresentam barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da passividade do governo, quanto da insuficiência constitucional. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Em primeira instância, é fulcral pontuar a baixa atuação dos setores governamentais como perpetuadora desse cenário deletério. Segundo Aristóteles, a política tem a função de preservar o bem-estar coletivo entre as pessoas de uma sociedade. Entretanto, diferentemente do pressuposto do filósofo grego, isso não ocorre no Brasil, visto que a precária atuação das autoridades acerca da criação de mecanismos que coíbam as consequências da busca por padrões de beleza idealizados - combatendo modelos que funcionam como fonte de comparação social e a exposição às imagens idealizadas da mídia, por exemplo - permite que esse quadro seja uma realidade contundente no país. Logo, para aproximar-se do pressuposto de Aristóteles, a passividade do governo deve ser superada.

Ademais, é imperativo ressaltar a insuficiência constitucional como promotora das consequências da busca por padrões de beleza idealizados. Por esse ângulo, convém salientar que este processo de comparação social também influencia fortemente a autoestima do indivíduo. Nessa lógica, quem não atinge um ideal estético socialmente aceito pode encarar desafios nocivos, como a anorexia e a bulimia nervosas, fenômeno que está em desacordo com os preceitos da Carta Magna brasileira. Conforme a Constituição Cidadã, garante-se à população a inviolabilidade do direito à saúde, o que destoa da realidade do Brasil, dado que, de acordo com o site de notícias G1, uma em cada nove pessoas sofre de transtornos relacionados ao problema no país. Portanto, evidencia-se a necessidade de enfrentamento desse empecilho, de modo a cumprir a Lei Maior.

Assim, para minimizar as consequências da busca por padrões de beleza idealizados, o Estado deve lutar contra o culto à beleza do corpo. Tal efeito pode ser alcançado por meio de um plano intitulado “Padrão Zero“, tendo como objetivo combater modelos que funcionam como fonte de comparação social e a exposição às imagens idealizadas da mídia, o que mitigaria o impacto nocivo do problema, e, consequentemente, asseguraria a direito à saúde no território nacional. Dessa forma, a coletividade alcançará, em médio e em longo prazo, a Utopia de More.