ENEM PPL 2017 - Consequências da busca por padrões de beleza idealizados
Enviada em 12/01/2021
No livro “O Espelho”, de Machado de Assis, é retratada, à luz do pensamento de Jacobina - um Alferes da Guarda Nacional -, a existência de duas almas: uma exterior, caracterizada pela visão da sociedade sobre um indivíduo, e outra interior, marcada pela sua verdadeira essência. Fora da ficção, é indubitável que a reflexão proposta pela obra supracitada pode ser aplicada ao paradigma da constante busca por padrões de beleza idealizados na contemporaneidade, o qual está atrelado ao estímulo ao consumismo pelas empresas e contribui para a persistência da marginalização das pessoas que não seguem esses modelos. Nesse sentido, é necessária uma intervenção estatal para resolver o impasse.
É imperioso salientar, a princípio, que a procura pelo corpo “perfeito” é, sobretudo, fomentada pelos veículos midiáticos, os quais impõem, frequentemente, modelos a serem seguidos pelos consumidores. Tal fenômeno é ratificado pelo conceito de “Indústria Cultural”, que foi proposto por pensadores da Escola de Frankfurt e evidencia que as grandes empresas utilizam as propagandas para homogeneizar o gosto das massas, incentivar o consumismo e, assim, maximizar o seu lucro. Sob essa ótica, percebe-se que o ato de tentar se adequar aos padrões de beleza quase inatingíveis por parte dos indivíduos pode levá-los a enfrentarem não só a frustração, mas também problemas graves de saúde física e psicológica, como anorexia, bulimia, ansiedade e depressão.
Ademais, infere-se que a exposição dos padrões de beleza pela mídia contribui, reiteradamente, para a inferiorização dos indivíduos que não se adequam a estes. Essa questão vai ao encontro do pensamento do sociólogo Erving Goffman, que define o estigma social como a associação de grupos que não se adequam à normatividade imposta pela sociedade a uma imagem negativa. Por conseguinte, a parcela do corpo social que opta por não seguir tal modelo, como as pessoas muito magras e as obesas, está sujeita ao processo de estigmatização supramencionado, o que pode resultar em fatores como a restrição da autoestima e a marginalização social desses indivíduos.
Depreende-se, portanto, que os padrões de beleza idealizados estimulam o consumo exacerbado e promovem a inferiorização de determinados grupos. Posto isso, com vistas a subverter o paradigma de supervalorização das aparências, urge que o Ministério da Educação crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias nas redes sociais. Essa medida deverá esclarecer os internautas acerca dos efeitos desses modelos inatingíveis na sua saúde física e psicológica e na atribuição de uma imagem negativa aos que optam por não segui-los. Somente assim, promover-se-á a valorização da alma interior dos invidivíduos em detrimento da exterior, desconstruindo o enaltecimento das imagens existente.