ENEM PPL 2017 - Consequências da busca por padrões de beleza idealizados
Enviada em 12/01/2021
Na década de 1950, o Brasil passava por muitas transformações no âmbito econômico, social e cultural. Dentre essas mudanças, o advento e a popularização da televisão foram avanços importantes na divulgação das peculiaridades regionais e na construção de uma coesão nacional. No entanto, esses benefícios promoveram o estabelecimento de um padrão estético, a projeção de uma beleza idealizada que se tornou objeto de desejo. Nesse contexto, a busca pela adequação a tais parâmetros gera consequências danosas. Dessa forma, tanto a influência da indústria na percepção do belo, quanto os efeitos psicológicos apresentam-se como desafios.
Em primeira análise, são evidentes as marcas da indústria cultural nos padrões estéticos e na noção de beleza. Conforme apontaram estudos de teóricos da Escola de Frankfurt, como Adorno e Horkheimer, os processos industrias se tornaram meio de operação para a elaboração de produtos culturais, criando, assim, uma cultura de massa. Sob essa ótica, a beleza se torna não uma representação de puros ideais estéticos, mas uma ferramenta a serviço de uma cadeia industrial que formata e padroniza, tendo como objetivo a obtenção de lucro. Dessa maneira, constata-se que essa busca incessante pela acomodação de padrões ditados pela indústria contribue para uma constante insatisfação pessoal com a autoimagem.
Ademais, são de grande notoriedade os efeitos psicológicos advindos da contínua vontade de adequação aos padrões estéticos. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 9% dos brasileiros sofrem com algum tipo de transtorno de ansiedade. Nesse sentido, a insatisfação com o corpo, a constante sensação de inadequação visual e o desejo desenfreado de se tornar o outro são fatores que podem contribuir para um desgaste emocional, resultando em um possível transtorno mental. Desse modo, é mais que urgente a ação coordenada de agentes públicas que entendam a gravidade e as potenciais consequências para a saúde mental da população.
Verificam-se, portanto, aspectos que consideram os efeitos da indústria cultural e os desdobramentos negativos sobre a quadro psicológico dos indivíduos. Sendo assim, cabe ao Poder Executivo, em parceria com o Ministério da Saúde - órgão responsável pelas políticas de saúde pública -, a criação de um comitê de especialistas em cultura de massa e psicólogos, que atue por meio regulamentação de propagandas para que não apresentem conteúdo apelativo e, ao mesmo tempo, promova inclusão e diversidade estética, além da intensificação da oferta na rede pública de assistência psicológica, a fim de garantir a preservação da integridade mental e satisfação pessoal. Só assim, haverá um país que representa a sua beleza livre dos floreios da idealização.