ENEM PPL 2017 - Consequências da busca por padrões de beleza idealizados

Enviada em 04/03/2021

Desde antes do Renascentismo a ideia do corpo perfeito já estava infiltrada na sociedade. Na Grécia Antiga, por exemplo, corpos robustos e largos eram idealizados a fim de enaltecer a fartura do indivíduo. No decorrer da trajetória humana, tais padrões estéticos foram se cambiando e com o início da idade contemporânea juntamente a ascensão das redes sociais, as quais facilitam sua propagação, foram monopolizados pela indústria das mídias sociais e da moda as quais enaltecem principalmente a magreza e a proporção nas curvas. Tal concepção é meramente elitizada, além de ir contra os estigmas da biologia e diversidade de seus próprios consumidores, podendo causar diversos malefícios físicos e psicológicos para aqueles que, visando atingir tais protótipos de perfeição, entram em uma batalha contra seu próprio biotipo, o que torna necessário um debate acerca de seus aspectos.

Dentro desse contexto, as mídias sociais se tornaram um centro de pressão estética para a maioria de seus usuários. Com a facilidade no compartilhamento de fotos, blogueiras usam essas redes para promover seus corpos, que muitas vezes são frutos de plásticas caras e portanto, não acessíveis às classes menos privilegiadas. Dessarte, é notável a presença de uma elitização dos padrões estéticos, deixando os menos favoráveis financeiramente mais vulneráveis a recorrem a medidas não saudáveis a fim de se encaixarem no arquétipo de beleza.

Ademais, o mesmo acontece com capas de revista e desfiles de marcas famosas como Dior ou Victoria´s secrets, que ao contratarem apenas modelos altas e magras, idealizam este modelo de corpo para seus clientes. Entretanto, paradoxalmente ao achismo popular, nem sempre um corpo magro é sinônimo de saúde, com ele podem estar incluídos transtornos alimentares, como anorexia e bulimia, as quais, de acordo com pesquisas realizadas pela revista Veja, atingem 4,7% da população. Por isso é de extrema irresponsabilidade das empresas exporem seus produtos somente em corpos que agregam a minoria de seu público. Desta forma elas estão contribuindo para a idealização e frustação daqueles que serão influenciados a buscarem determinada beleza.

Em face do exposto, é essencial que o Ministério da Saúde em parceria ao Ministério da Educação promova a desconstrução de tais padrões de beleza além de alarmar os risco de cirurgias plásticas e dietas extrema, por meio de palestras educativas ministradas por psicólogos e nutricionistas. Ademais, Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR) também deveria atuar no combate a problemática, regularizando com mais rigidez e aumentando a censura de propagandas e posts que estimulam a adoção de tais padrões estéticos. Desta forma, será possível o desenvolvimento de uma sociedade menos oprimida e, consequentemente, mais saudável.