ENEM PPL 2017 - Consequências da busca por padrões de beleza idealizados

Enviada em 05/03/2021

Desde antes do Renascentismo, a ideia do corpo perfeito já estava infiltrada na sociedade. Na Grécia Antiga, por exemplo, corpos robustos e largos eram idealizados a fim de enaltecer a fartura do indivíduo. No decorrer da trajetória humana, tais padrões estéticos foram se cambiando e, com o início da idade contemporânea, juntamente à ascensão das redes sociais, as quais facilitam sua propagação, foram monopolizados pela indústria das mídias sociais e da moda as quais enaltecem principalmente a magreza e a proporção nas curvas. Tal concepção vai contra os estigmas da biologia e diversidade de seus próprios consumidores, podendo causar diversos malefícios físicos e psicológicos para aqueles que, visando atingir tais protótipos de perfeição, entram em uma batalha contra seu próprio biotipo.           Dentro desse contexto, as mídias sociais se tornaram um centro de pressão estética para a maioria de seus usuários. Com a facilidade no compartilhamento de fotos, blogueiras usam essas redes para promover seus corpos, que, muitas vezes, são frutos de plásticas caras e que podem arriscar a própria vida, como no caso da ex-influenciadora Liliane Amorim, a qual, de acordo com a página Viva Bem da Uol, morreu devido a uma infecção causada por sua lipo. Dessarte, é notável que divulgar determinados procedimentos estéticos, influenciado a busca ao arquétipo de beleza, compromete a saúde pública de toda uma sociedade.

Ademais, o mesmo acontece com capas de revista e desfiles de marcas famosas, como Dior ou Victoria´s secrets, que, ao contratarem apenas modelos altas e magras, idealizam esse modelo de corpo para seus clientes. Entretanto, paradoxalmente ao achismo popular, nem sempre um corpo magro é sinônimo de saúde: com ele, podem estar incluídos transtornos alimentares, como anorexia e bulimia, as quais, de acordo com pesquisas realizadas pela revista Veja, atingem 4,7% da população. Por isso, é de extrema irresponsabilidade das empresas exporem seus produtos somente em corpos que agregam a minoria de seu público. Dessa forma, elas estão contribuindo para a idealização e frustação daqueles que serão influenciados a buscarem determinada beleza.

Em face do exposto, é essencial que o Ministério da Saúde, em parceria ao Ministério da Educação, promova a desconstrução de tais padrões de beleza, além de alarmar os risco de cirurgias plásticas e dietas extrema, por meio de palestras educativas ministradas por psicólogos e nutricionistas. Ademais, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR) também deveria atuar no combate à problemática, regularizando com mais rigidez e aumentando a censura de propagandas e posts que estimulam a adoção de tais padrões estéticos. Dessa forma, será possível o desenvolvimento de uma sociedade menos oprimida e, consequentemente, mais saudável.