ENEM PPL 2017 - Consequências da busca por padrões de beleza idealizados

Enviada em 06/03/2021

Culto à padronização do belo.

“Todos julgam segundo a aparência, ninguém segundo a essência”. Sob a ótica de Friedrich Schiller, o apreço ao espírito e ao intelecto são desprezados em razão da supervalorização da beleza. Nesse viés, contemporaneamente, é evidente a valorização do corpo humano, impulsionado através do ideal de “corpo perfeito” e dos avanços na medicina, sendo difusos por meio de redes sociais. O problema é que muitos tendem ao exagero, tornando-se perigosa a supervalorização do corpo humano.

Vive-se a realidade da indústria 4.0 e o apogeu capitalista. Nesse contexto, a mídia divulga padrões a serem seguidos de acordo com o ideal de perfeição, através de celebridades que servem de molde para a plenitude imposta, gerando um consumismo desenfreado por parte da população. Entretanto, o desejo do belo acarreta em permanentes frustações com modelos inalcançáveis por grande parte das pessoas. Sendo assim, empresas divulgam ideais falsos, e trazem a insatisfação e mal-estar para a população.

Ademais, vale ressaltar o avanço da medicina, impulsionando o ideal de plenitude. De acordo com uma pesquisa da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), no ano de 2018, o Brasil registrou a realização de mais de 1 milhão de cirurgias plásticas, além de 969 mil procedimentos estéticos não cirúrgicos. Nesse viés, é notório a grande desigualdade presente na sociedade, tendo em vista que uma minoria consegue alcançar o molde da perfeição, perpetuando a ideia de que a plenitude está relacionada com as condições financeiras.

Em suma, torna-se necessário uma reflexão sobre os efeitos da valorização do corpo humano. Ao valorizar a perfeição da beleza física em detrimento do espiritual e do mental, incentiva-se a decepção e mal-estar por parte da população, gerando doenças ou problemas psicológicos. Cabe aos meios educacional a conscientização do equilíbrio, entre as belezas físicas, mentais e espirituais de cada indivíduo, por meio de palestras em grupo, mostrando que o belo vai além do físico do ser humano. Portanto, sob esse novo molde para a perfeição, a ótica de Friedrich Schiller seria refutada.