ENEM PPL 2017 - Consequências da busca por padrões de beleza idealizados
Enviada em 01/04/2021
Em meados do século XX, Guy Debord – célebre escritor francês – desenvolveu o conceito de “Sociedade do espetáculo”, segundo o qual as relações e os costumes sociais são mediados por imagens, que estabelecem modelos estéticos inalcançáveis. Consoante a isso, a temática proposta por Debord é notória no corpo social, uma vez que a busca por padrões de beleza idealizados apresenta-se de maneira latente na contemporaneidade. Dessarte, essa realidade deve-se, essencialmente à negligência estatal e à influência midiática.
Diante desse cenário, é fulcral pontuar que a inércia estatal contribui para a persistência da problemática. Sobre isso, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman desenvolveu o conceito de “Instituição Zumbi”, que ilustra a exponencial degradação da função social exercida pelo Estado que, em tese, seria de prover condições favoráveis ao bem-estar e ao progresso social, todavia, percebe-se que o ideário não saiu do papel. Consoante a isso, o fenômeno exposto por Bauman mostra-se condizente com a realidade, uma vez que o Ministério da Saúde raramente oferta informações acerca das consequências da incessante busca por padrões de beleza idealizados. À vista disso, nota-se que a ineficiência estatal representa um dos porquês do problema.
Ademais, a influência midiática, associada à alienação social, proporcionaram um terreno fértil para estabelecer a busca por padrões estéticos nos dias atuais. Nesse contexto, Theo Adorno - filósofo alemão do século XX – na obra “Indústria Cultural”, teceu diversas críticas acerca da padronização comportamental estabelecida pelas mídias, visto que isso limita o senso crítico e impõe hábitos maléficos ao corpo social. Tal fato pode ser exemplificado na questão da busca por modelos de beleza idealizados, tendo em vista as inúmeras propagandas que vendem produtos estéticos com a promessa de melhorias na qualidade de vida, mas que têm consequências contrárias ao prometido. Desse modo, torna-se evidente o quão importante é a atuação da mídia na persistência da problemática.
Isto posto, é imperiosa a ação de ONGs (Organizações não governamentais) na resolução do impasse. Para tanto, o Instituto Ethos, aliado ao “Akatu” (Associações destinadas à concepção de uma comunidade sem conflitos), devem pressionar o Poder Executivo, por meio de campanhas nas redes sociais, para que o Ministério da Saúde promova a propagação de informações sobre o quão prejudicial é, para a saúde física e psicológica, a busca por padrões de beleza, além de suas consequências para a efetivação da harmonia social, de modo que ocorra uma massificação do tema na coletividade e uma conscientização social. Feito isso, o óbice em questão deixará de ser uma pedra no caminho da sociedade.