ENEM PPL 2017 - Consequências da busca por padrões de beleza idealizados
Enviada em 03/04/2021
“O monstro de Frankenstein”, livro da escritora Mary Shelley, retrata como construiu-se uma criatura sem controle, baseada na ambição e na vaidade humanas. Conquanto, para além da ficção, o mito do incontrolável pode ser estabelecido na modernidade, no tocante a busca por padrões de beleza idealizados, com base no culto ao corpo, na cultura consumista e na pressão midiática. Diante dessa perspectiva e por suas consequências à saúde, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem a esse quadro.
Em primeiro lugar, vale salientar que a beleza é atualmente tratada como uma “commoditie”. Ou seja, de acordo com Marx, em sua teoria do “fetiche da mercadoria”, o padrão de beleza tem de ser adquirido não para satisfação pessoal, mas sim, para a manutenção do status. Dessa maneira, o problema reside na obrigatoriedade do consumo estético sob o risco iminente do estigma e da exclusão, fato que ocorre veladamente, por exemplo, em entrevistas de emprego ou na busca por relacionamentos. Logo, é evidente as consequências desse processo, como isolamento, discriminação social e dificuldades de autoaceitação. Indubitavelmente, o mundo julga e mede pela aparência, em uma realidade, determinantemente, superficial.
Por outro lado, há um estímulo midiático para o alcance do corpo perfeito, alimentados pelo horror ao envelhecimento, pela hiperexposição em rede e pelo estímulo à estética. Nesse ínterim, o Brasil é o maior realizador de cirurgias plásticas estéticas do mundo, segundo dados do Conselho Federal de Medicina. Dessa forma, riscos vem à galope, quais sejam, o da busca por profissionais não habilitados, de incapacidade física e até morte. Ademais, procedimentos de hamornizações, implantes e dietas de internet têm popularidade exponencial. Como diria Schopenhauer, é um grande erro arriscar a saúde por qualquer outra vantagem. Erros tais, que, parecem não assustar a sociedade narcisista contemporânea.
É fundamental, portanto, que medidas sejam tomadas para a resolução dessa problemática. Assim, o Ministério da Saúde, juntamente com as mídias digitais – principais formadores de tendência desse processo – devem adotar a campanha “Minha própria beleza”, de apoio aos diferentes padrões, na qual se estimule uma cultura de aceitação e diversidade. Essa iniciativa aconteceria por meio de propagandas, bem como inspeções técnicas em clínicas e restrição a conteúdos factoides em redes sociais, visando a prevenção desse estímulo e a conscientização social. A fim de que, finalmente, o monstro da vaidade coletiva seja controlado e valorize-se, sem prejuízo de outrem, as diferentes formas naturais de ser.