ENEM PPL 2017 - Consequências da busca por padrões de beleza idealizados

Enviada em 17/07/2021

As estátuas de cera são cópias realistas de outrem, é possível durante sua confecção escolher detalhes minimalistas, como, por exemplo, a tonalidade da pele, olhos, estrutura e coloração dos cabelos entre outros fatores. O modo de produção dessa arte, assemelha-se com a tentativa exacerbada de aproximação de modelos de perfeição, uma vez que hoje, pessoas estão se moldando conforme obras, para entalharem em si características a fim de ‘‘adequar-se’’ ao que é exigido. Esse assunto no que lhe concerne traz, à tona consequências da busca de padrões idealizados de beleza, responsável pelo extremismo de cirurgias estéticas e a uniformização de seres.

A princípio, é válido ressaltar que, existe um alto índice supérfluo de intermédio medicinal — ocasionado por conta da caçada a um semblante ideal — acontecendo no Brasil. Isso posto, segundo a pesquisa — realizada pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) — onde constatou aumento de 140% nas operações plásticas em jovens. Segundo Michel da Matta, pesquisador da USP, mídias sociais contribuem para tal decisão, pois, coagem das pessoas um certo tipo de físico. Nesse sentido, as demandas sociais, requerem o seguimento de um próprio protótipo, o que acaba por impor a procura por manobras medicinais. Consequentemente, muitos indivíduos passam a praticar tal ato e, assim perpetua-se essa realidade horrível.

Ademais, como fruto das harmonizações na fisionomia os seres humanos estão literalmente tornando-se análogos. A exemplo disso, a canção ‘‘Mrs. Potato Head’’, da cantora estadunidense Melanie Martinez, retrata de forma macabra, o impacto coletivo do arquétipo do belo, ao contar as histórias de mulheres que por influências midiáticas retiram as suas essências inatas, se transfigurando em reproduções dos demais. Essa visão de um ambiente de mimésis retratada por Martinez, mostra bem a realidade do século XXI. Isso ocorre, por conta da insatisfação com a própria imagem gerada através de comunicação, como demonstram os dados estatísticos da SBCP. Sem políticas adequadas e eficientes, o problema continuará a se alastrar de forma devastadora.

É possível defender, portanto, que devido à gravidade dessa situação, medidas devem ser tomadas para conter esse revés. Cabe ao Poder Publico na figura do Ministério da Saúde (MS) em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS), amenizar as questões e, através de verbas governamentais, promover campanhas publicitarias usando cartilhas educativas e mídias sociais, de modo a conscientizar — sobre os perigos de cirurgias desnecessárias e alertar sobre a indução televisora — e prevenir tal processo, atingindo a comunidade. Somente assim, esses saberão reconhecer e evitar o problema. Desse modo, a população não será forjada como monumento de cera.