ENEM PPL 2017 - Consequências da busca por padrões de beleza idealizados
Enviada em 14/04/2021
“O monstro de Frankenstein”, clássico do final do século XIX, narra a história de uma criatura sem controle, fruto da vaidade e da ambição humanas. Conquanto, para além da ficção, a vaidade humana é posta como um grave problema na sociedade brasileira à medida em que impõe uma busca incessante por padrões de beleza idealizados, que se alicerçam no consumo e no baixo senso crítico da população. Diante dessa perspectiva e por suas consequências em saúde, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem a esse quadro.
Em primeiro lugar, vale salientar que a beleza é entendida contemporaneamente como um produto, uma “commoditie” vendida sob a égide do “fetiche da mercadoria”, de Karl Marx. Ou seja, é um artigo preconizado para a manutenção do status quo, vendido pela publicidade capitalista por intermédio de mecanismos de alienação, de forma a suscitar consumo e lucro. Dessa forma, há a modelagem de comportamentos, com intuito puramente financeiro, que resulta em um prejuízo da autoimagem da população, com desvalorização da diversidade estética e o fomento a transtornos de imagem. É inconcebível que esse cenário continue a perdurar.
Por outro lado, o baixo senso crítico da população, resultado de uma educação obsoleta, que pouco debate os problemas atuais, reverbera na construção da autoestima coletiva. Nessa conjuntura, o sistema educacional não atende as necessidades da vida moderna ao não contemplar o debate relativo aos transtornos psicológicos oriundos do descontentamento com a aparência – que poderiam ser explorados por meio de atividades lúdicas de conscientização. Logo, ao não contemplar o debate sobre autoimagem e diversidade, a escola se omite e colabora com a formação de uma geração despreparada para lidar com as pressões estéticas e, porventura, discriminatórias.
É fundamental, portanto, que medidas sejam tomadas para resolução desse quadro. Assim, o Ministério da Educação juntamente com as escolas – principais formadores de opinião desse processo – devem capitanear o projeto “Diversidade na Escola” (DNE), de apoio aos diferentes padrões, no qual se estimule uma cultura de aceitação. Essa iniciativa ocorreria por meio de eventos escolares integrados, bem como de cursos em mídias digitais - com intuito de maior democratização à informação - visando a conscientização social. A fim de que, o monstro da vaidade coletiva seja controlado, e haja valorização, sem prejuízo de outrem, das diversas formas naturais de ser.