ENEM PPL 2017 - Consequências da busca por padrões de beleza idealizados
Enviada em 18/05/2021
Em “O Auto da Barca do Inferno”, Gil Vicente, o pai do teatro português, tece uma crítica ao comportamento vicioso do século XVI. Fora da ficção, o Brasil do século XXI demonstra as mesmas conotações no que se refere à busca por padrões de beleza idealizados, uma vez que a sociedade em sua maioria mulheres, estão se submetendo a procedimentos estéticos apenas para satisfazer um desejo interno. Nesse sentido, pode-se afirmar que a má influência midiática e a falta de debates agravam essa situação.
Convém ressaltar, a princípio, que mídia massificadora é um fator determinante para a persistência do problema. Conforme Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Nessa perspectiva, pode-se observar que a mídia, em vez de promover debates que elevem o nível de informação da população, acaba influenciando da problemática, pois ela acabou por idealizar um padrão de beleza e difundiu eles por meio de filmes e propagandas com atores com o almejado corpo “ideal”.
Além disso, outra dificuldade enfrentada é a questão do silenciamento. Segundo o filósofo Immanuel Kant, na sociedade pós-moderna, alguns temas são silenciados para que as estruturas de poder sejam mantidas. Nesse viés, percebe-se uma lacuna no que se refere ao debate em torno dos perigos da busca do corpo “perfeito”, que tem sido fortemente silenciado. Dessa maneira, dados divulgados pelo G1, informando que houve um aumento de mortes em procedimentos estéticos em relação aos últimos 5 anos serão cada vez mais maiores.
Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Para isso, é imprescindível que a mídia- responsável por informar e conscientizar- realize, por meio das redes sociais, campanhas que promova a diversidade estética. Ademais, devem ser criadas propagandas com pessoas fora do padrão aceito pela sociedade, a fim de acabar com essa hegemonia estética. Talvez, assim, seja possível construir uma país em que Bourdieu pudesse se orgulhar.