ENEM PPL 2017 - Consequências da busca por padrões de beleza idealizados

Enviada em 08/06/2021

A Constituição Federeal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 5º a inviolabilidade do direito à igualdade e à liberdade como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa as consequências da busca por padrões de beleza idealizados, dificultando, desse modo, a universalização desses direitos sociais tão importantes. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater os graves e preocupantes seguimentos pelo padrão de imagem imposto pela sociedade. Nesse sentido, a falta de diálogo sobre o assunto pode desencadear excessiva procura por procedimentos estéticos, desnvolvimento de transtornos alimentares e psicológicos, baixa autoestima, descriminação para com os que, supostamente, não se encaixam nos padrões estipulados, dentre outros fatores. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a liberdade e igualdade, o que é evidente no país.

Ademais, é fundamental apontar a mídia como principal impulsionadora da busca incessante pela beleza imposta no mundo. Segundo a Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), o Brasil é o segundo páis que realiza mais procedimentos estéticos cirúrgicos - perdendo somente para os Estados Unidos. Diante de tal exposto, é perceptível até onde as pessoas podem chegar para se sentirem parte da sociedade mistificada, no entanto, acabam, em alguns casos, perdendo a vida para padrões de um mundo onde a diferença é proveniente da miscigenação de culturas e biotipos exclusivos. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Ministério da Educação, juntamente com o Ministério da Cultura, por meio de debates informacionais em escolas e propagandas com os mais diversos padrões de beleza, vinculadas com os meios de comunicação, debater e evidenciar a pluralidade estética mundial, a fim de uma maior aceitação social do indivíduo. Assim, se consolidará uma sociedade desmitificada, na qual o Estado desempenha corretamente seu contrato social, tal como afirma John Locke.