ENEM PPL 2017 - Consequências da busca por padrões de beleza idealizados
Enviada em 24/06/2021
Segundo o sociólogo e filósofo polonês Zygmunt Bauman, vivemos em um período da história denominado modernidade líquida, onde as relações sociais são frágeis e maleáveis, possuindo um caráter extremamente superficial. Esse conceito se torna ainda mais evidente no quesito das mídias sociais e no âmbito das relações rasas por elas estabelecidas, onde a exaltação da busca por padrões de beleza idealizados proporciona severas consequências, entre elas a baixa autoestima de grande parte dos jovens e a manutenção do preconceito racial.
Uma considerável parcela dos jovens brasileiros possui problemas de autoestima relacionados a maneira como enxergam o próprio corpo. Na adolescência, esses indivíduos ainda não possuem um entendimento concreto em relação aos seus aspectos físicos, procurando, principalmente nas redes sociais, referências do que é considerado bom ou ruim, nesses casos, a maioria se depara com um universo de corpos digitalmente forjados e inconsistentes com a realidade, tomando para si como objetivo a busca por esses padrões que, posteriormente, se mostram inalcançáveis, fazendo com que esses adolescentes se sintam culpados e anormais. Um levantamento recente da secretaria de estado da saúde de São Paulo revelou que 46% das jovens entrevistadas afirmavam que mulheres magras são mais felizes e que 20% delas pretendem juntar dinheiro para a realização de cirurgias plásticas, reforçando a influência dos padrões estéticos no pensamento e na autoestima desses adolescentes.
Sob o mesmo ponto de vista ainda é possível averiguar que a busca por essa idealização corpórea contribui diretamente para a manutenção do preconceito racial, já que a falta de representatividade negra nas mídias sociais brasileiras, devido ao histórico do processo de colonização no Brasil e o estigma de pobreza e inferioridade associado aos negros, faz com que os jovens que procuram referências externas se deparem apenas com figuras brancas com características corporais europeias e estadunidenses, gerando um processo de descaracterização e inferiorização de aspectos físicos de pessoas negras, como pode ser observado na quantidade de garotas que alisam seus cabelos para serem vistas pela sociedade como “mais belas”, fato que evidencia a conservação do preconceito racial gerado pela imposição e a busca por esses padrões de beleza.
Portanto, torna-se essencial que os governos estaduais e municipais, através de políticas públicas efetivas, forneçam programas de auxílio psicológico nas escolas, de modo que os jovens possam receber orientação profissional adequada para lidar com os anseios relacionados a maneira como enxergam suas características físicas, visando a melhoria na qualidade de vida desses adolescentes e a diminuição da perpetuação do preconceito racial.