ENEM PPL 2017 - Consequências da busca por padrões de beleza idealizados

Enviada em 12/07/2021

Promulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU), a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito à saúde e ao bem-estar social. No entanto, as consequências da busca por padrões de beleza idealizados são provas de que a priorização pela estética impede que esse direito seja desfrutado por todos na prática. Nesse aspecto, é possível relacionar o impasse não apenas a transtornos mentais causados pela busca inalcançável da perfeição, mas também pela submissão constante a processos estéticos de alto risco.

Primordialmente, cabe ressaltar que a mídia criou um padrão de beleza exposto hodiernamente nas novelas, séries e outros meios digitais. Desse modo, a sociedade passou a almejar e desejar rostos e corpos perfeitos. Nesse contexto, a música “Pretty Hearts” de Beyoncé fala justamente a respeito do alto custo mental pago em busca da perfeição, além de exibir as doenças consequentes desse processo, como depressão, ansiedade e principalmente, a bulimia. Nesse viés, é possível notar que esses padrões tão almejados pela população são responsáveis pela perda de saúde mental quando buscados de maneira excessiva, sem qualquer preocupação com a saúde física ou mental. Diante disso, é insustentável que em pleno século XXI a estética seja priorizada em detrimento a saúde.

Além disso, os constantes tratamentos e cirurgias plásticas atuam como impulsionadores do problema. Nesse viés, é nítido que com os avanços na medicina as cirurgias estéticas se tornaram cada vez mais comuns e almejadas na vida da população brasileira. Com isso, as próteses e as lipoaspirações são cada vez mais recorrentes atualmente, mesmo que não haja qualquer necessidade relacionadas a saúde para executá-las. Com isso, a influenciadora Liliane Amorim, que tinha seu corpo conforme os padrões de beleza atuais pregam, foi vítima de uma lipoaspiração mal sucedida e suas complicações levaram a jovem à óbito. Logo, fica explícito a urgência de uma conscientização eficaz à respeito da necessidade desses procedimentos estéticos.

Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para a mitigação do impasse. Nesse âmbito, é dever do Ministério da Saúde promover campanhas nas mídias que discutam sobre a aceitação dos mais diferentes tipos de corpos existentes, para que as pessoas passem a respeitar suas genéticas e os índices de doenças e cirurgias desnecessárias diminuam gradativamente. Ademais, a mídia também deve exibir nos meios tecnológicos a representatividade de pessoas que possuam corpos fora do padrão ultrapassado pregados por ela até então, para que essa aceitação seja de fato eficaz. Só assim, as consequências da busca pelos padrões de beleza diminuirão e os direitos previstos pela ONU serão desfrutados por todos, agora na prática.