ENEM PPL 2017 - Consequências da busca por padrões de beleza idealizados

Enviada em 26/07/2021

O filme estadunidense “O mínimo para viver” retrata a vida da personagem interpretada pela atriz Lily Collins: Ellen, uma garota de 20 anos que sofre de anorexia - distúrbio alimentar - e distúrbio de autoimagem - se enxerga no espelho de forma não condizente com a realidade. Não distante da cinematografia, a realidade da protagonista se assemelha ao cotidiano de diversos indivíduos na sociedade brasileira, que frequentemente lidam com a busca pelos padrões de beleza inalcançáveis ​​impostos pela mídia e suas consequências no âmbito da saúde física e psicológica. Nesse sentido, observa-se um delicado problema que tem como causas a influência midiática e a falta de representatividade.

Dessa forma, em primeira análise, a irresponsabilidade da mídia é um desafio presente no problema. Conforme Boudieu afirma, a mídia foi criada para a democracia e não para opressão. Porém, ela tem se mostrado opressora quanto à perseguição das idealizações de beleza na sociedade, visto que, ao expor constante e exclusivamente determinados de corpos - muitas vezes utópicos - nos meios de massa, esta passa a fomentar as inseguranças daqueles que não se encaixam no padrão representado, acabando por induzí-los a perseguir essa irrealidade exclusiva a qualquer custo para enxergarem-se como belos. Assim, é necessária uma postura mais democraticamente responsável pela mídia para superar a situação.

Em paralelo, a falta de inclusão é um entrave no que tange ao problema. Para Clarice Lispector, “não basta existir, é preciso também pertencer”. Entretanto, a sensação de pertencimento não ocorre como deveria em relação à padronização de corpos, de forma que, ao não se enxergarem nas atividades dos grandes meios comunicativos, a - maior - parte da população que difere das representações diárias de perfeição passa a sentir-se excluída e marginalizada da inclusão social, estando sujeitas à representação do diferente e do “errado”. Desse modo, sem atuar sobre o aspecto que Lispector levantou, é improvável dissolver o problema. Portanto, é imperativo agir sobre a questão.

Para isso, as grandes marcas de roupa como Chanel e Louis Vuitton devem incluir modelos de diferentes e variados tipos de corpo existentes na sociedade em seus desfiles anuais, de forma a reverter uma lacuna de representatividade que afeta a busca por padrões de beleza idealizados, bem como incentivar outras marcas a fazerem o mesmo. Tal ação pode, ainda, ser transmitida nas redes sociais para atingir um maior público. Paralelamente, é necessário intervir sobre a má influência midiática existente no problema. Logo, menos indivíduos sentirão-se em desacordo com as padronizações e menos Ellen’s estarão sujeitas às influências que delas partem.