ENEM PPL 2017 - Consequências da busca por padrões de beleza idealizados
Enviada em 06/08/2021
Segundo a filósofa Marilena Chauí, os animais são seres naturais e os humanos, culturais. Nessa perspectiva, os indivíduos são reflexos diretos do meio em que estão inseridos, e as predeterminações do convívio coletivo moldam suas condutas. Dessa forma, esses exemplos podem ser observados na busca incessante por padrões de beleza idealizados, visto que é a própria sociedade que constrói essas referências formuladas. Assim sendo, essa procura obstinada por paradigmas fabricados é reforçada por práticas empresariais duvidosas e gera problemáticas no bem-estar dos cidadãos.
Antes de tudo, empresas corroboram esse comportamento pelo uso de estratégias de promoção agressivas. Sob esse viés, de acordo com o escritor José Saramago, o que ocorre atualmente é a morte do cidadão para dar lugar ao cliente. Diante dessa perspectiva, certas corporações utilizam os moldes sociais como “marketing” para promover seus produtos, sobretudo, enfatizando que eles são as soluções que os consumidores precisam para serem felizes e se encaixarem nessas predeterminações. Dessarte, essa estratégia reforça diretamente a necessidade irreal de fazer parte dessa idealização e gera consequências severas no convívio coletivo das pessoas.
Ademais, a saúde, principalmente a cognitiva, dos sujeitos é fortemente atingida por esse anseio pelos modelos “perfeitos”. Nesse sentido, na música “Likey”, o grupo musical Twice aborda a situação de um indivíduo que busca incansavelmente fazer parte dos paradigmas impostos pela sociedade e nunca está satisfeito com sua aparência. Destarte, é certo que esse ciclo vicioso de almejar incansavelmente pelo padrão provoca inseguranças nas pessoas, as quais podem, caso não sejam devidamente tratadas, evoluir para enfermidades psicológicas severas, como: depressão e fobia social. Desse modo, desfazer essa necessidade irreal é de suma importância para o bem-estar coletivo.
Portanto, é imprescindível romper com esse estigma concebido de referências de “perfeição”. Assim, o Ministério da Educação, com o apoio de entidades de Psicologia e do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar), deve, por meio de verbas públicas, criar palestras acerca da idealização de padrões de beleza e dos impactos desse fenômeno nos indivíduos. Nesse contexto, esses eventos seriam realizadas tanto em escolas, abertos ao público geral, quanto em corporações de grande porte, abordando as consequências preocupantes que a criação de paradigmas pode gerar nos sujeitos. Além disso, o Conar agiria na análise de propagandas que poderiam incitar esse comportamento autodestrutivo, orientando as empresas para que reformulem sua publicidade. Em suma, a partir dessas ações, as pessoas se tornariam mais empáticas, e as empresas mais conscientes de seu papel nas construções sociais.