ENEM PPL 2017 - Consequências da busca por padrões de beleza idealizados
Enviada em 17/08/2021
É fato que a busca pela realização física não é algo recente. Em confirmação, na Idade Média, o anseio de obter a pele mais clara levava as mulheres a usarem cremes à base de chumbo, feito que trazia consequências irreparáveis, o que demonstra o viés obsessivo por trás da adequação aos padrões. Infelizmente, no contexto vigente, tais ideais adquirem uma maior possibilidade de propagação e aceitação e levam a um culto à beleza. Sob essa ótica, destaca-se o potencial de expansão dos ideais, a supervalorização do perfeito e a falta de representatividade do diferente como vertentes preocupantes do presente momento.
A princípio, a realização de medidas para se sentir melhor consigo é um fator corriqueiro do século XXI. Entretanto, vale ressaltar que tal circunstância, atrelada aos ideais impositores do inalcançável, revelam perspectivas alarmantes como o aumento de procedimentos estéticos. Segundodados da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética(ISAPS),o Brasil é o país que mais realiza cirurgias plásticas no mundo. Outrossim, nota-se o que a filósofa alemã Hannah Arendt classifica como “comportamento de manada”, ideologia que é intensificada pela inserção das redes sociais no cotidiano e que confirma o potencial de expansão dos padrões. Sendo assim, tem-se a supervalorização do perfeito e a sustentação de um cenário propenso à problemáticas.
Ademais, a falta de representatividade se insere como um possível efeito desse contexto negativo. Certamente, sabe-se que a alteridade é a base da ideia de raça humana, porém, é perceptível uma mudança nos embasamentos da sociedade, porquanto, o diferente passa a ser julgado. Nesse viés, não se sentir incluso gera um sentimento de insegurança naqueles que não se encaixam, o que leva à baixa autoestima, logo, tem-se a precisão de esclarecer o que o culto à beleza representa e de reconhecer as inúmeras formas de ser e parecer. Dessa forma, valorizar a si mesmo, como Maria Carolina de Jesus em sua obra “O quarto de despejo”, é imprescindível para se impor e evitar complexos de autoimagem.
Portanto, o potencial de expansão, a supervalorização do utópico e a falta de representatividade são panoramas preocupantes do culto à beleza. Diante disso, cabe ao Governo Federal, aliado à mídia, por meio de espaços em horários nobres e dos ambientes virtuais, alertar acerca do aumento dos adeptos aos procedimentos estéticos e do viés alarmante da imposição do impossível, para que a conscientização previna o sofrimento psicológico e a alienação. Além disso, cabe à sociedade, por meio da exerção do seu papel social, construir um ambiente acomodativo e diverso, para que o estranho volte a ser aceito. Assim, os extremos serão evitados e o culto à beleza dará espaço para o reconhecimento de variadas formas de ser.