ENEM PPL 2017 - Consequências da busca por padrões de beleza idealizados
Enviada em 29/08/2021
A partir de meados da década de noventa, com o fim da Guerra Fria e, consequentemente, o fim da bipolarização do planeta, a economia capitalista se expandiu ao longo do globo, sendo adotada pela maioria dos países. Esse sistema leva como característica principal a visão de que tudo pode ser explorado como forma de se obter lucros. Nesse sentido, até os próprios corpos humanos são vítimas desse sistema a partir da chamada “indústria da beleza”, que propaga na sociedade ideias de padrões de beleza inatingíveis. Nesse contexto, percebe-se graves consequências decorrentes da busca em se enquadrar nesses critérios, seja pelo impacto na saúde da população, seja pela retroalimentação da indústria que causa esses problemas.
Em primeiro lugar, nota-se que a intensa comparação social causada por essa pressão estética causa impactos negativos na boa disposição física e mental das vítimas. Isso porque a incansável busca pelo ideal e a desvalorização do real ocasiona problemas de autoestima e pode evoluir para casos graves de transtorno dismórfico corporal que leva, por sua vez, ao desenvolvimento de bulimia e anorexia. Assim, é indubitável que o mercado da beleza é responsável, em grande parte, por problemas de saúde relacionados à percepção da autoimagem das pessoas.
Por outro lado, o sentimento de insatisfação causado por essa busca interminável tem também como consequência a retroalimentação dessa indústria. Isso ocorre porque tal sensação faz com que as pessoas busquem no mercado produtos que façam com que elas alcancem seus objetivos, como por exemplo fármacos ou procedimentos estéticos. Nesse sentido, a jornada para se encaixar nesses padrões é conveniente para diversos nichos mercadológicos, pois é muito lucrativo, uma vez que as vítimas acabam investindo dinheiro nisso.
Em síntese, além da busca por modelos ideais significarem um risco à saúde da população, ela também financia o próprio mercado da beleza. Nessa perspetiva, é preciso reconhecer que esse problema é acima de tudo uma questão de saúde. Desse modo, é preciso que o Ministério de Saúde em parceria com grandes influenciadores digitais, promova uma campanha de conscientização através das diversas mídias sociais atuais. Isso pode ocorrer, por exemplo, a partir de pequenos vídeos que valorizam a pluralidade dos corpos, suas singularidades e demonstrem que o conceito de belo é muito subjetivo. Por fim, é esperado que essa medida promova autoconhecimento acerca da autoimagem de cada um e uma maior aceitação.