ENEM PPL 2017 - Consequências da busca por padrões de beleza idealizados

Enviada em 30/08/2021

A obsessão relacionada ao culto à beleza não uma invenção atual. No Brasil, tal problema é recorrente e pode ser comprovado devido aos elevados índices de cirurgias plásticas - o país é o líder no quesito em pacientes na faixa dos 13 aos 18 anos de idade, segundo o site “O popular”. Diante da precariedade desse contexto, é necessário ressaltar dois fatores principais para a consolidação do impasse - a padronização estética imposta pela mídia e o preconceito contra as pessoas fora desse padrão. Caso a nação verde-amarela queira reverter essa situação, terá de estudar medidas firmes e eficazes de combate.

Em primeiro lugar, é indubitável que a mídia possui um papel de homérica importância na constituição dos padrões sociais. Na Grécia Antiga, Platão já discutia que o ideal de beleza era algo objetivo, logo, para ele, os padrões são justificáveis. Paralelamente ao pensamento platônico atua a mídia brasileira, uma vez que em seus programas televisivos é possível estabelecer estereótipos físicos parecidos. No entanto, esse não é o melhor modo de lidar com indivíduos tão singulares como são os seres humanos. Cada pessoa possui um ideal de beleza próprio. Por isso, é imprescindível desconstruir as ideias de Platão e efetivar a representatividade dentro das “telinhas”.

Outrossim, vale ressaltar a imensa discriminação sofrida pelas vítimas que estão na periferia social estética. Nesse sentido, é indispensável entender a relevância de modelos representativos na arte. A partir do momento que as mídias escolhem padrões, outras formas de beleza são denegridas simbolicamente. É a partir daí, o surgimento do desejo de estar incluído no padrão vigente. De acordo com Kant, o ser humano deve agir de modo que tomes a humanidade tanto em tua pessoa, quanto na pessoa do outro. Contudo, os mecanismos midiáticos retiram parte da dignidade dos indivíduos vulneráveis agindo como dito anteriormente. O infeliz reflexo desse panorama é, portanto, o aumento de doenças psíquicas, a elevação do número de cirurgias com o intuito de atingir a pseudoperfeição e, até mesmo, o bullying praticado contra eles.

Diante de tamanha incoerência social, o Estado deve, em parceria com os mecanismos midiáticos, promover a inclusão efetiva. Esse processo ocorrerá por intermédio de acordos com empresas produtoras de conteúdos de massa, de modo que seja constituída uma política de cotas na contratação de profissionais da mídia, a fim de estabelecer, de fato, a representatividade. Soma-se a isso, a promoção de palestras, nos centros educativos, capazes de desconstruir a percepção objetiva de beleza. Assim, o desenvolvimento social poderá deixar de ser uma utopia para o Brasil.