ENEM PPL 2017 - Consequências da busca por padrões de beleza idealizados
Enviada em 14/09/2021
A Constituição Federal de 1988 - norma de maior hierarquia no país - prevê, em seu Artigo 6º, o direito à saúde. No Brasil hodierno, entretanto, a imposição de padrões de beleza idealizados tem trazido consequências negativas à saúde dos brasileiros e, ao invés do Artigo 6º ser assegurado, muitas vezes ocorre seu declínio em função da necessidade de enquadrar-se em um ideal preestabelecido pela sociedade. Dentro desse contexto, faz-se necessário analisar uma das principais causas da violação desse direito e sua consequência no indivíduo.
Em primeira instância, cabe ressaltar uma das causas geradoras da problemática da imposição de padrões de beleza, evidente, por exemplo, na exposição de imagens idealizadas. O país que nasceu do encontro entre diferentes etnias e culturas, sendo miscigenado, é rotineiramente regrado por um modelo utópico de indivíduo, no qual a estética europeia, por exemplo, é a forma perfeita a ser atingida. Tal fato é evidente no endeusamento de modelos da famosa “Victoria Secret’s”, uma marca de beleza composta por top models magras, de maioria branca e normalmente vestidas de roupas angelicais, corroborando para o ideal perfeito e inatingível.
Outrossim, a constante exposição à idealizações europeias faz diminuir o apreço à autoestima e, consequentemente, prejudicar a saúde do indivíduo. A falta de identificação com a imposição coletiva revela o medo de não pertencer ao que foi padronizado pela sociedade, o que gera, no sujeito, tentativas de encaixar-se no corpo perfeito, mesmo que para isso haja malefícios à sua saúde física ou psicológica. Nesse sentido, a música “Pretty Hurts”, da cantora afrodescendente Beyoncé, mostra cenas de um concurso de beleza em que as candidatas têm seus limites testados em troca de enquadrar-se no que a sociedade julga ser o ideal. Assim, a situação enfrentada pelas candidatas evidencia a sociedade presa na caixa padronizada de beleza e, embora isso cause dor, é a única maneira de sentir-se enquadrado na sociedade hodierna, ou seja, continuar com o padrão imposto, mesmo que para isso ocorre a violação do direito à saúde evidenciado da Carta Magna.
Portanto, depreende-se a necessidade de amenizar a consequência da problemática da busca por padrões de beleza idealizados. Para isso, o Estado, em parceria com os meios midiáticos, por meio de verbas públicas, deve expor, nos canais de comunicação, a representação de diferentes etnias - como forma de evidenciar a miscigenação do país e informar que o ideal utópico não existe - de forma a demonstrar que a sociedade não deve impor um modelo a ser seguido, pois tal idealização fere o direito inalienável à saúde do brasileiro. Assim, a sociedade caminhará para eliminar o pensamento etnocentrico de beleza.