ENEM PPL 2017 - Consequências da busca por padrões de beleza idealizados
Enviada em 10/10/2021
No livro “O Extraordinário”, “best-seller” de 2012, o protagonista é marcado por uma deformidade facial logo em sua infância, e, devido a essa distinção, o garoto sofria humilhação e discriminação por parte dos seus colegas de sala. Embora seja uma obra ficcional, o livro apresenta características que se assemelham ao atual contexto brasileiro, pois, assim como na obra, a criação de um padrão de beleza pela indústria cultural têm contribuído para a alienação dos cidadãos, sujeitando aqueles que não se encaixam à problemas psicológicos e físicos.
Em princípio, cabe analisar o papel do Capitalismo no controle dos padrões de beleza sob a perspectiva dos filósofos alemães Adorno e Horkheimer. Segundo os frankfurtianos, a estrutura capital moderna é marcada por transformar a cultura popular em produto, eliminando tradições locais e estabelecendo arquétipos de consumo subalternos ao lucro. Nesse contexto, possibilita-se a criação, favorável à indústria de produtos de estética, um corpo comercial ideal planejado para a adesão geral da população, a qual os que escolhem não objetivar este corpo acabam sofrendo pressão social, resultando em consequências físicas e mentais. Verifica-se, portanto, o impacto do mercado na consequência advinda dos perfis de beleza estabelecidos por grandes corporações.
Ademais, a influência das corporações no que tange ao estabelecimento de um referencial estético atinge também o âmbito pessoal. Isso ocorre na medida em que, ao ter seus hábitos (estéticos e alimentares) conduzidos para uma padronização mercadual, o indivíduo desenvolve preceitos deletérios acerca de si mesmo, o que compromete significativamente a construção de seu senso crítico em relação a sua própria saúde. Dessa maneira, surge uma massa de pessoas condicionadas a consequências como, depressão e a perda de peso, decorrentes da necessidade de se adaptar aos padrões estéticos comerciais.
Assim, faz-se necessária a atuação do Ministério da Educação, em parceria com a mídia, na educação da população, especialmente dos jovens, público mais atingido pelos padrões de beleza, acerca da necessidade do posicionamento crítico quanto aos perigos de almejar o corpo ideal midiático. Isso deve ocorrer por meio da promoção de palestras que, ao serem ministradas em escolas e universidades, orientem os brasileiros no sentido de autoaceitação e da compreensão de que não existe um corpo ideal. Além disso, cabe às entidades governamentais a elaboração de medidas que minimizem os efeitos das propagandas visando incentivar o corpo ideal. Dessa forma, será possível impedir que destinos como o do protagonista de “O Extraordinário” se concretize no Brasil.