ENEM PPL 2017 - Consequências da busca por padrões de beleza idealizados
Enviada em 17/10/2021
O espartilho é uma peça de vestuário que surgiu no século XVI para enquadrar o corpo feminino nos moldes de uma cintura fina. De tal maneira, que sua utilização gerava imenso desconforto, pois forçava os órgãos a se deslocarem, causando indigestão e constipação, constituindo um exemplo emblemático de sacrifício em nome do ideal estético. Atualmente, a criação dos padrões de beleza continua em vigor e é propagada pela mídia, que reforça esses modelos estabelecidos como um requisito para adequação e felicidade dos indivíduos. Entretanto, a humanidade parece caminhar no contrafluxo do bem-estar quando pratica essa busca pela beleza idealizada, pois depara-se com graves prejuízos como transtornos psicológicos e perda de autoestima.
Em primeiro plano, os transtornos psicológicos imperam como principal consequência do problema apresentado, os quais propagam-se principalmente entre adolescentes, cuja personalidade está em processo de formação e a preocupação com o objetivo de validação é ainda maior. Segundo uma pesquisa realizada pela Casa do Adolescente, da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, 77% das adolescentes apresentaram predisposição a desenvolver algum distúrbio alimentar como anorexia, bulimia e compulsão por comer. Dentre outros dados, 85% afirmaram acreditar que existe um padrão de beleza socialmente imposto. A pesquisa denuncia um retrato da rejeição dessas jovens com a natureza do próprio corpo e o adoecimento de uma geração bombardeada por nocivas imposições estéticas que corroboram um cenário preocupante.
Além disso, é evidente que a perda de autoestima também figura como uma impactante consequência dessa busca. De acordo com uma pesquisa realizada pela marca de cosméticos Dove, 35% das jovens brasileiras se sentem menos bonitas ao verem fotos de celebridades em propagandas nas redes sociais. Ainda revela que 60% do percentual apresentado declarou ter baixa autoestima. Por isso, é incontestável, não só o prejuízo causado pela busca por padrões de beleza idealizados, como também a necessidade emergencial de medidas que minimizem as consequências mencionadas.
Nesse sentido, o Ministério da Educação deveria criar um programa de amparo psicológico nas escolas, por meio do qual, psicólogos fariam acompanhamento mensal dos alunos a fim de identificar e tratar possíveis manifestações dos transtornos gerados pela influência de padrões estéticos. Ademais, esses mesmos profissionais também poderiam ministrar palestras sobre a valorização da autoimagem, rompendo com o ideal imposto pela mídia. Dessa forma, o Brasil enxergará a beleza que existe em sua diversidade.