ENEM PPL 2017 - Consequências da busca por padrões de beleza idealizados
Enviada em 19/10/2021
De acordo com o teórico britânico David Harvey, a globalização fomentou o chamado encolhimento do mundo, isso é, o aumento das relações de convívio a distância devido aos avanços técnicos na área da telecomunicação. Entretanto, com as novas tecnologias, surgem também impasses a serem enfrentandos, sobretudo à questão da propagação de modelos de vida e estética exigida nas redes sociais — um problema alarmante à salubridade quando aliado a uma falta de senso crítico para com o conteúdo virtual. Assim, é possível afirmar que não só a concepção da diversidade como um conceito ruim, mas também a falta de posicionamento consciente do indivíduo frente aos moldes de beleza fomentam o status quo contemporâneo do século XXI: uma sociedade pautada na superficialidade.
Inicialmente, é necessário destacar que uma significativa parte da população almeja uma padronização corpórea. Por exemplo, conforme a International Society of Aesthetic Plastic Surgery, o Brasil é o país que mais realiza cirurgias plásticas no mundo, o que mostra a evidência da população em se enquadrar em um padrão que é denominado “aceitável e correto”. A priori, é inadmissível que a vontade individual seja direcionada para uma homogeneização estética em vez de realçar as diferenças como a qualidade fenotípica que realmente deve ser enaltecida — afinal, são elas que contribuem para a aceitação das dissemelhanças e tolerância da diversidade cultural.
Ademais, outro tópico importante tange à questão da reação pessoal à idealização difundida nos meios de comunicação, os quais fazem questão de mostrar a perfeição como um caminho único, seja no setor de relacionamento, modo de se vestir ou delineamentos do corpo. Conforme o que é estudado acerca da Semana de Arte Moderna brasileira, ocorrida em 1922, vê-se que os modernistas tinham um objetivo definido de questionamento da arte tradicional vigente até então— o molde à época— , o que, analogamente, parece uma ideia perdida em outros aspectos da vida corpólatra no século XXI. A partir desse ponto de vista, é revoltante que ,apesar de todo o percurso histórico de ruptura dos padrões, a sociedade se encaminhe para uma nova fase de molduras definidas.
Destarte, é dever do Estado, no âmbito de ministérios atuantes, em consonância com as instituições de ensino, realizar a conscientização populacional por intermédio de palestras educativas e campanhas publicitárias que discorram não só sobre a maior riqueza do Brasil outrora condenada, a diversidade, com exemplos práticos da literatura brasileira modernista, mas também a importância das diferenças para uma sociedade tolerante e humanitária. Espera-se, com tudo isso, uma atenuação dos problemas advindos com a determinação do que é beleza.