ENEM PPL 2017 - Consequências da busca por padrões de beleza idealizados

Enviada em 10/11/2021

Consoante a Émile Durkheim, sociólogo francês, a sociedade, assim como um “corpo biológico”, é composta por partes que interagem mutuamente e cujo bom funcionamento é fulcral à saúde do todo. Seguindo a lógica durkheimiana, fica claro que a imposição de padrões de beleza em meio à sociedade ultraja a manutenção da coesão social, uma vez que coage os indivíduos a adequarem-se a critério pré-estabelecidos, afligindo-lhes a liberdade — direito que segundo o iluminista John Locke é inalienável. Em síntese, esse cenário é fruto das raízes históricas brasileira, sendo, ainda, agravado pela desídia do governo na sua supressão.

Primordialmente, é importante salientar que a questão do estabelecimento de padrões de beleza não é um revés apenas contemporâneo. Prova disso é que quando da chegada da família real ao Brasil, em 1808, deparando-se com cortesãs carecas em função de uma infestação de piolhos nos navios, as mulheres da então colônia rasparam suas cabeças no intuito de assemelharem-se aos nobres. De maneira análoga, a perenização dessa realidade acarreta perdas maiores do que a dos cabelos, podendo corroborar o desenvolvimento de distúrbios tais como a vigorexia e a bulimia que, nos casos mais extremos, levam à morte. Assim, a dissolução da conjuntura histórica brasileira é elementar à mitigação desse problema.

Faz-se mister, ademais, salientar a imperícia estatal como impulsionadora desse impasse. Nesse sentido, o preâmbulo da Carta Magna de 1988 incumbe ao Estado a tarefa de solucionar as controvérsias internas. Conquanto, conforme pesquisa Datafolha, cerca de 30% da dos brasileiros não confiam no Ministério Público. Dado o exposto, percebe-se que a restrição das garantias legais à legislação abre brechas ao desenvolvimento de padrões sociais que sujeitam os cidadãos à aprovação de grupos que, ao coibir o livre exercício das vontades e desejos individuais de cada um, prejudicam a autoestima e, por conseguinte, o bem-estar popular. Logo, o pragmatismo das leis mostra-se medular para superar essa mazela.

Portanto, frente a tal óbice, urge, pois, que o Ministério da Educação promova, nas escolas, feiras com profissionais como psicólogos que esclareçam aos jovens a importância para a sociedade da pluralidade de gostos e aparências. Destarte, pode-se formar, desde cedo, indivíduos que entendem e respeitam as diferenças e as particularidades uns dos outros e, então, inibir o surgimento de padrões de beleza aos quais os cidadãos podem encontrar-se submetidos. Desse modo, suscita-se que a sociedade, a valer, funcione como o “corpo biológico” de Durkheim.