ENEM PPL 2017 - Consequências da busca por padrões de beleza idealizados

Enviada em 14/11/2021

A semântica, área de estudo das letras dedicada a interpretar o sentido das palavras, explica que a uma palavra carrega um valor cristalizado de um povo em um tempo específico, ou seja, o sentido de coisas como o belo são variáveis e mudam ao longo da história. Na sociedade contemporânea a cristalização desse termo e a busca pelo corpo perfeito traz graves consequências às pessoas que o almejam. Esse panorama tem como origem a colonização e a imposição da cultura europeia no Brasil e traz graves efeitos à saúde e à autoestima de pessoas fora do padrão de beleza.

Em primeira análise, é preciso estabelecer que a valorização do corpo branco, magro e esbelto sobre o corpo de pessoas miscigenadas e originárias acontece devido à colonização portuguesa em território nacional. Em sua obra “Corpos que importam”, a escritora Judith Butler aponta a exclusão imposta aos corpos de pessoas divergentes do padrão estético atraente e aceitável em uma sociedade ocidental, na qual pessoas deficientes, acima do peso e racializadas não são vistas como belas e quando vistas, são fetichizadas e desumanizadas. Destarte, fica evidente que o estabelecimento desse padrão de beleza vigente tem origens enraizadas na história do Brasil.

Além disso, a perpetuação desse padrão em nosso país, divulgada pelos grandes canais midiáticos, mostra-se como outro desafio da problemática. A ausência de corpos racializados e diversos em programas televisivos têm um grande impacto na autoestima de muitos jovens que não se veem representados e, por isso, muitas vezes, recorrem a métodos arriscados para alcançar um corpo padrão, podendo levar a doenças graves como anorexia, bulimia, disforia corporal, depressão, etc. Logo, nota-se a importância em retratar a diversidade social nas telas.

Infere-se, portanto, a necessidade da adoção de medidas para amenizar esse conflito. Assim, cabe ao Estado, por meio do Ministério de Comunicações (MCom) em parceria com o Ministério da Educação e Cultura (MEC), promover propagandas que valorizam os diversos corpos que compõem a diversidade nacional em ambientes educacionais, por meio de palestras sobre saúde e autocuidado com médicos e psicólogos especialistas na área, com o objetivo de informar a camada mais jovem da população sobre os riscos da busca por um corpo idealizado. Dessa forma, será possível redefinir o belo e promover o bem estar de todos os tipos de corpos.