ENEM PPL 2017 - Consequências da busca por padrões de beleza idealizados
Enviada em 18/11/2021
A despeito das sociedades antigas e de algumas atuais, que estão aquém dos costumes ocidentais — como algumas civilizações africanas —, nas quais o ideal estético é constituído por corpos robustos, o ocidente vivencia quase que uma “ditadura” da magreza. Nesse contexto, tal padrão de beleza, desconexo com a realidade, é disseminado pela mídia e a sua busca pode acarretar em danos à saúde de quem a almeja.
Sob este viés, percebe-se que o padrão de beleza em questão se insere numa conjuntura de hegemonia cultural ocidental. Nesse sentido, a construção de tal paradigma ocorre por ação, sobretudo, dos veículos midiáticos, que detêm grande influência sobre os costumes da população em geral, a partir da imagética presente em seriados, filmes e propagandas. Tais veículos, por sua vez, operam sob a lógica da “Indústria cultural”, teorizada pelos filósofos Adorno e Horkheimer, que consiste na alienação da massa, a partir da grande mídia. Dessa maneira, a busca por padrões de beleza idealizados exemplifica essa alienação, na medida em que os espectadores que adotam tal postura não percebem que os padrões estéticos televisionados não representam o caráter heterogêneo de beleza, presente no corpo social.
Outrossim, como consequência dessa distorção da realidade, por parte dos consumidores desse material audiovisual, nota-se que a busca exacerbada por padrões de beleza idealizados implica danos à saúde física e mental dos indivíduos, e isso independe de recortes de classe: na série “The Crown”, da Netflix, os transtornos alimentares da princesa Diana, do Reino Unido, são retratados de modo a enfatizar a relação direta destes ditúrbios com o estado emocional da princesa. A busca exaustiva por corpos perfeitos, então, revela-se como possível propulsor de doenças como bulimia e anorexia e, ainda, em casos mais graves, pode culminar em tragédias, como suicídio e automutilação.
Depreende-se, por conseguinte, que a busca pelos padrões de beleza idealizados tem consequências drásticas e tal peregrinação é estimulada pela grande mídia. Desse modo, é urgente que o Ministério da Saúde, em ação conjunta à empresas estatais do audiovisual, como a Ancine, estimulem a produção de tramas que valorizem os diferentes tipos de beleza presentes na sociedade brasileira, por meio de insumos fiscais aos grandes produtores televisivos, para que outras narrativas sejam representadas, a fim de mitigar possíveis impacto sobre a saúde dos brasileiros. Assim, a “ditadura” da magreza se amenizará no território nacional.