ENEM PPL 2017 - Consequências da busca por padrões de beleza idealizados

Enviada em 26/05/2022

De acordo com um estudo publicado pela Kantar, foi constatado que cerca de 20% das brasileiras sofrem de baixa autoestima. Conforme essa pesquisa, diversas mulheres relataram não se sentirem satisfeitas com o seu próprio corpo, levando-as a passar horas editando suas fotos nas redes sociais, para que assim possam parecer alguém que não são. Nesse sentido, a série de televisiva sul-coreana, “True Beauty”, mostra as dificuldades de mascarar a realidade de sua aparência, em uma tentativa de tentar ser acolhida, apesar de não se encaixar no padrão de beleza, ilustradas pela protagonista.

Dessa forma, veículos de mídia, a indústria de cosméticos e cirurgias plásticas sempre inovam nas tentativas de fazer com que o padrão de beleza seja cada vez mais inalcançável. Incontestavelmente, um padrão idealizado apenas somaria lucros para a indústria da beleza, que se beneficia da infelicidade e insatisfação de seus consumidores quanto à suas aparências. Uma vez que a mídia tem grande influência sobre as ações e gostos pessoais da população, distúrbios alimentares e de imagem são cada vez mais difundidos.

Segundo um levantamento realizado pela Secretaria do Estado da Saúde de São Paulo, aproximadamente 77% das jovens paulistas apresentam propensão a desenvolver algum tipo de distúrbio alimentar. Ao passo que a mídia torna-se cada vez mais incisiva quanto a padrões de beleza impossíveis de se obter, progressivamente mais pessoas acabam por desenvolver distúrbios alimentares e outros transtornos, como a ansiedade e a depressão.

Em síntese, a falta de representatividade de corpos reais, sem grandes modificações inferidas com o propósito de encaixar-se no padrão, apenas amplificam as consequências causadas pela procura pelo corpo ou rosto ideais. Por isso, crianças e adolescentes devem passar pela fase de desenvolvimento cerebral sem que a mídia venha a incidir padrões irreais de beleza nesse público que é tão facilmente influenciável. A proibição de anúncios e propagandas que, mesmo que implicitamente, discriminam certa população por não se encaixarem no padrão é necessária para que possamos conviver em uma sociedade onde não odiemos nossa própria imagem.