ENEM PPL 2017 - Consequências da busca por padrões de beleza idealizados

Enviada em 17/10/2022

O quadro “Mona Lisa”, considerada a pintura mais famosa da humanidade do artista renascentista Leonardo da Vinci, retrata uma mulher que seria o auge da beleza feminina para época. Todavia, nos padrões atuais essa figura feminina poderia ser considerada acima do peso e sofrer uma edição no “Photoshop” para se adequar ao padrão vigente. Diante desse cenário, faz-se necessário analisar a busca por padrões de beleza impostos, bem como suas prejudiciais consequências.

De início, é necessário salientar o papel do corpo social como responsável pela imposição de preceitos. Conforme o filósofo Michael Foucalt, a atual dinâmica social é baseada na sociedade disciplinar, ou seja, os cidadãos são disciplinados a reproduzir discursos que se tornam máximas sociais. Sob essa ótica, atua os padrões de beleza que são regras criadas que não refletem a maioria dos corpos. Contudo, a sociedade disciplinar exige que todos busquem o ideal de perfeição inatingível. Desse modo, a busca por um ideal de beleza que não é o reflexo da sociedade pode causar severos transtornos psicológicos à população, por exemplo, a bulimia e a depressão por não terem o padrão imposto.

Além disso, os smartphones são fundamentais para a potencialização do problema. Segundo o sociólogo Byung Chul Han, os celulares são os rosários modernos e importantes instrumentos de dominação. A ampla utilização desses equipamentos pela população garante que a todo instante os usuários sejam bombardeados por informação. Nesse sentido, todas as pessoas com celulares acabam por estarem imersas em constantes comparações em redes sociais ou por notícias destacando os corpos mais belos. Dessa forma, os celulares potencializam a comparação e instigam a busca por um padrão inatingível.

Depreende-se, portanto, que a busca por padrões de beleza idealizados e inalcançáveis é uma ameaça à saúde da população que deve ser combatida. À vista disso, é dever do Ministério da Saúde — órgão responsável pelas diretrizes médicas nacionais — atuar para impedir a disseminação de padrões idealizados. Isso pode ser feito por meio de campanha publicitária que instrua a população que padrões de beleza não são sinônimos de saúde, a fim de conscientizar a comunidade a perseguir uma vida saudável e não corpos editados em computadores.